MÁQUINA DO TEMPO
Esta é uma versão atual da Máquina do Tempo, recauchutada por Jules Verne. A pessoa é colocada no cesto e lançada no tempo/espaço; realmente quando a gente viaja parece uma porrada no esqueleto, mas funciona.Foi assim que começou: Acho que não dou para político, pois não tenho talento nem carisma para agradar a Gregos e Troianos.
Minhas crônicas estão incomodando muita gente, pela quantidade de emails desaforados que tenho recebido, mas como sou discípulo de Diogo Mainardi, sei que a maioria são de pessoas infectadas pelo vírus da SICA (Síndrome do Carangueijo Adquirida).
Sou desprovido de certas vaidades, e, como artista não sou muito de aparecer na mídia. Quando escrevi e produzi a peça (montada em 1981 em plena abertura política) ESQUERDA, DIREITA, VOLTER, que passou dois meses no Teatro do Derby, tinha dificuldade para dar entrevistas. Pedia para José Lopes, o Diretor, falar em meu lugar.
Criei o Instituto Memorial, mas declinei de ser o Presidente, passando a bola para o meu grande amigo Ricardo Magalhães, e o outro cargo da Diretoria para o outro grande amigo Claudionor Germano. Fiquei com o terceiro lugar.
Quando eu estava no Tucap, gostava de trabalhar nos bastidores. Lá fui assistente de direção, sonoplastia, compositor, diretor musical e cenógrafo. Grande experiência. Cheguei a fazer preparação para ator, mas decididamente o palco não é minha praia.
Sempre que sou convidado, e até quando não sou convidado, participo de reuniões, debates, encontros, exercício que muita gente já desistiu de fazer. Num desses, encontrei uma galera nova em teatro, sangue novo. Isso é bom.
Em certo momento, percebi que as discussões sobre os problemas do teatro local, se reportavam à antigas discussões. Cheguei a comentar sobre isso, mas fui mal interpretado. Ai entendo os meus colegas que não gostam mais de reuniões sobre teatro. É a mesma coisa, a mesma ladainha entra ano, sai décadas.
Como se eu tivesse saido de uma máquina do tempo, precisamente do auditório do DCE na metade da década de 70, época que foram criados a Apatedepe (hoje SATED) e a Feteape. Os mesmos conflitos e reclames. Nada mudou.
Lamentavelmente, muitos dos que reclamavam estão ou já estiveram em cargos públicos na Fundarpe ou na Fundação de Cultura do Recife, mas parece que esquecem de tudo.
Como disse da outra vez, um ex-colega e ex-amigo (dessa vez não é Cristiano Lins) veio comentar comigo sobre tudo isso, ele que já foi dirigente.
Eu tenho vergonha na cara. Calado, recuperei o Teatro de Paulista, quando fui assessor do amigo Claudionor, então secretário de cultura de Paulista. Não fiz algazarra.
Como aprendi a fazer projetos a custo zero, levei a experiência para Paulista, fazendo alguns eventos, sem recursos. Como a gente sabe, Prefeitura do interior não entende muito de fazer cultura.
A máquina do tempo ainda existe...


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