Don Antonio e Vossa Senhoria
Acho que esse nome é interessante, tanto para denominar o meu show de musica, como para se referir à banda, sem aquele horrível e comum "e sua banda".
A banda, no caso, é formada por feras: Wellington Santana (baixo), Breno Lira (guitarra e viola) e Ricardo Fraga (percuteria). Percuteria é uma bateria síntese sem todos aqueles apetrechos. Wellington assina a direção musical, dividindo os arranjos com Breno.
Na terça feira nos encontramos no apê de Breno, na rua da Aurora (com aquela maravilhosa vista do mar e do rio Capibaribe), eu e Wellington.
Talvez eu faça uma estréia exclusiva para convidados: parentes, aderentes, amigos e afins, pois gosto mesmo é de tocar para desconhecido, que dão insuspeitas críticas.
No show, a maioria das músicas são minhas, algumas de amigos e outras conhecidas. Básicamente um show autoral, mas com uma levada pesada, muito balanço e pique.
Essencialmente uma crítica contemporânea, pois quem me conhece sabe que sou incompetente para fazer músicas romanticas, a não ser que um amigo me ofereça uma letra para musicar, como o Alazão de Eurico Bitu, gravado por Marcos Lopes.
Hoje, depois de mais de 15 anos, escrevi uma letra para uma música, com uma temática atual:
MAZOMBO, SIM SENHOR
Don Antonio
Boa noite meus senhores todos
Boa noite, senhoras também
Meus Senhores, minhas senhoras
Os recebo com muito prazer.
Vou logo me apresentar
Sou o Fulano lá do nordeste
Também sei cantar e me danar
Não se engane, meu amigo
Com esse doce apalavrear
Na verdade sou da Pedra Furada
Cabra da peste, sim senhor
Da gema com muito ardor
Do coração com muito amor
De brigar com quem me engana
Pensando em me enrolar
De mandar para o outro mundo
Quem quer ficar com o meu lugar
Assim foi ontem, antes e certa vez
Ficas logo avisado
Que sou é um mazombo arretado
Cansado de ficar calado
Com quem não sabe falar
Já passei por outros mundos
Andei sem parar
Mandei para o outro mundo
Gente de todas as espécies
Cores de todas as genéticas
Seja qual for o seu plantar
Não se finja de amigo
Quem por trás é desamigo
Pois pode enfeitar
Com graça e galhardia
A boca do meu punhal
Já lutei por muitas liberdades
Todas as democracias e orgias
Ao lado dos filhos de índios,
Negros, escravos e portugueses
Como mazombo que sou
Já lutei por todas as idiossincrasias
Distantes, loucas ou coloridas
Como pernambucano, com certeza
Brasileiro, com muito talvez
Digo isso tudo, sem medo de errar
Por todas as vitórias lutadas
Pelos fracassos passados
Pelos colegas todos enganados
Presos, desaparecidos, mortos e torturados
Não pretendo, pois, ser injusto
Como mazombo que sou
Pernambucano com toda a certeza
Brasileiro com muito talvez
Não lutamos tanto pelo norte
Que hoje insistem em chamar de nordeste
Para ver Pernambuco tão ultrapassado
Com tanta bandalheira agreste
Não enfrentamos tanto todas as mortes
Em nome da democracia celeste
Para ver que o que volta para ao norte
É nada que preste para sempre talvez
Não sei por que me ufano do meu país
Mas sei do orgulho da minha raiz
Pernambucanos da gema, atendam ao meu canto
Alimentem o prato do canto com as gotas do meu pranto
Desencantem quem carece despertar
Renascer quem urge bravar
Abram as garras retumbantes e redundantes
Do canto que precisa fremir
O encanto do grande ressurgir
Acordemos o Leão do Norte,
Do Nordeste, do Brasil
Pernambucamos da Gema, sim senhor
Leão do Norte, sim senhora
Viva o Leão do Norte, meus senhores
Viva Pernambuco do Brasil, minhas senhoras
Sim, vamos acusar de um pernambucano radical. Estou sendo subversivo e panfletário. Se fui isso na ditadura militar, e fui perseguido e processado, por que não numa democracia?


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