CINE SÃO LUIZ
FOLHA DE PERNAMBUCO - 13 de março de 2007
Obras no cinema São Luiz podem sofrer atraso
Fundarpe está pedindo novos projetos para troca de cadeiras e piso no local
Bruno Nogueira
A reinauguração do cinema São Luiz como um centro cultural, prevista para maio, pode sofrer atrasos. As obras estão em estado acelerado, dentro do prazo previsto pelas Faculdades Integradas Barros Melo (AESO), mas apenas agora, com dois meses depois de anunciado que a instituição fechou uma parceria para cuidar do espaço, que a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) decidiu intervir nas mudanças que serão realizadas no local. Uma comitiva, formada pela arquiteta Maria de Nazaré Reis e o responsável pela célula de patrimônio Roberto Carneiro, visitou ontem o cinema.
“Qual o uso que vocês estão planejando para o lugar?” foi uma das primeiras perguntas de Maria de Nazaré dos Reis, o que demonstrou que, por falta de informação, essas intervenções da Fundarpe ainda não estão claras. A resposta para a pergunta já foi divulgada há dois meses em toda a imprensa local. Como ficou evidente, vale reforçar que o projeto prevê a exibição de filmes tanto do circuito comercial quanto independente, além de apresentações de música e peças de teatro.
Por hora, as exigências da Fundarpe são de um projeto de instalação das novas cadeiras e da troca do piso. Com isso, as cadeiras antigas, que já foram removidas do chão, não poderão sair do São Luiz, que também precisará esperar pelas novas poltronas. “Já fechamos contato com uma empresa que tem as poltronas mais parecidas possível do cinema original, porém mais confortáveis”, adianta a diretora da Aeso, Ivânia Barros Melo.
Segundo ela, uma das dificuldades de montar esse projeto é porque nenhuma das plantas recebidas coincidem com a arquitetura atual do São Luiz.
“Precisamos analisar todas as modificações que vão ser feitas para garantir a preservação da casa”, afirmou Maria de Nazaré. Essas modificações estão sendo supervisionadas pelo arquiteto Carlos Pontual, premiado mais de uma vez em bienais internacionais, além de ser ex-professor de planejamento arquitetônico em universidade. “Nós estamos gratificados pela parceria com a Aeso e gostaríamos que outras instituições fizessem isso em outras áreas também”, declarou a representante da Fundarpe. Ela prometeu que o problema mais grave, o da remoção das poltronas, não precisará esperar.
Segundo Maria do Nazaré, a Fundarpe também tem intenção de orientar que tipo de filmes e espetáculos o centro cultural do cinema São Luiz vai exibir, mas não entrou em detalhes sobre como vai fazer isso.
Como já foi anunciado, a programação está dividida em três áreas. Cinema, que terá responsabilidade do crítico de cinema desta Folha de Pernambuco, Luiz Joaquim; música, com curadoria do produtor da Astronave, responsável pelo Porto Musical e Abril pro Rock, Paulo André Pires; e teatro, que ainda não tem um nome definido.
MEU COMENTÁRIO
Participei das audiências públicas sobre o cine São Luiz e também da Comissão criada pela Prefeitura. Não houve resultado. A AESO, pragmática, arrendou o cinema.
A Prefeitura poderia ter arrendado o cinema, pelo valor baixo, cerca de 40 mil reais, apesar da insistência do gerente do grupo Severiano Ribeiro, Pedro Pinheiro.
A FUNDARPE, que não participou de nenhuma audiência pública, aparece tardiamente, querendo interferir na gestão. Acho que a AESO tem toda a liberdade de fazer a programação.


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