NÃO ROUBARÁS
Vou contar a história começando pelo fim:
O cara era totalmente de confiança da família, onde trabalhava como empregado doméstico. Furta 25 mil reais em 3 momentos diferentes. Como aconteceu? Um dos integrantes da família, que não confia em bancos, guardava o dinheiro em casa.
A desconfiança e a confiança sairam caro. O rapaz, que vou chamar de Dida, foi pêgo através de uma armadilha que teve até lances de novela policial que não vou relatar, por não interessar agora.
A família, imbuída de espírito cristão, decide não chamar a polícia e sim o bandido: entre choros e lágrimas ele confessa tudo, inclusive que o dinheiro era para construir uma casinha para ele, a esposa e os 2 filhos. E pede, pelo amor de Deus, que não lhe tirem a casinha...
O chôro é geral, todos confessam seus pecados e mútuos perdões e fica tudo pelo dito e não dito, recomendando ao Dida que não enverede pelos caminhos tortuosos do crime e que aquilo tudo lhe sirva de lição.
Dida aprendeu a lição: dias depois, outro membro da família dá pela falta de objetos pessoais como mini-gravador, um microfone profissional, transformadores etc, nada muito grave... Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
Como dizia, sendo redundante, Dida aprendeu a lição: comprou um Super Nintendo, uma máquina de lavar roupa, uma scouter (aquelas motonetasde 50cc que não precisa de carteira), e, provavelmente, tirou onda em algum bordel perto da favela onde mora. Sim, ele construiu a casinha dele, com 2 quartos.
Dida agora é carrouceiro, melhor dizendo, colabora para o programa de reciclagem, catando papel e latas pelas ruas do entorno da favela. Na sua casinha, com a mulher e os 2 filhos, falta comida farta. Tudo voltou ao que era antes. Pobre como miserável.
Teve que vender tudo que amealhara com o furto, para comer. Que gente miserável o que mais precisa é comer, diferente do que a TV suplica todos os dias. A pressão da sociedade, dos amigos, parentes e aderente é muito grande. Dida não quer ser miserável. Mas ele é miserável até na alma. Não acredita em educação, porque nunca o educaram. O seu destino é ser assim, miserável até nos sonhos. E, claro, ser massa de manobra dos PA a PZ da vida.
A família dele, pobre mas porém honesta, o discriminou totalmente, desaprovando o seu enriquecimento rápído. Pois é, o cara que nunca viu 250 reais numa semana, de repente ficou com 100 vezes mais e não soube se fazer. Voltou para o inferno.
Quem rouba pouco não tem futuro nesse país onde quem vence é desonesto. Mas, até para ser desonesto tem que ter talento, competência. Dida não tem. O traficante de favela sabe que não dura muito. Dida pensou que ira durar para sempre.
Ele não sabe o significado da expressão ou do mandamento NÃO FURTARÁS e de suas consequências. Não tem colarinho branco, não é branco, não é poderoso, não tem dinheiro, não é político nem polícia, lhe falta tudo.
Não será surpresa se eu encontrar o seu corpo furado de bala na avenida por onde trafego todos os dias...


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