Estar ou Ser Músico
Continuando...
Descobri, sem me lembrar, que no dia 4 de junho farei 40 anos de atuação cultural. Foi num sábado, no primeiro andar do salão paroquial da Igreja de Brasília Teimosa, em Recife. Era guitarrista, de base (só acompanhamento) da banda OS ALFAS, ex-OS BETAS. No repertório, apenas 40 músicas que se mostraram insuficientes pela nossa inexperiência.
Só aguentei 3 anos, irritado pela mesmice. Depois comecei a compor, participar de shows, nada que fosse muito responsável. O primeiro casamento me atrapalhou.
Não adianta chorar pelo leite derrramado. Muitos vão contar histórias parecida, outras mais dramáticas, e, assim, como eu, ficaram no meio do caminho.
Por exemplo, do grupo que participou do Projeto Pernambué, em 1990, 20 músicos, alguns ainda estão em destaque, como Valdir Afonjá (não em Recife) ou Lula Queiroga. Mais ninguém.
Quantos estão poraí, escondidos no porão do esquecimento? Quantos ainda insistem sazonalmente ou sem interrupção? Quantos ficaram nos barzinhos da vida?
O teatro conseguiu sair da redundância, na década de 80, quando começaram as temporadas, se viabilizando comercialmente.
Os músicos não conseguem a união que o teatro, mesmo em pernas de pau, conseguiu. Já falei das divisões profissionais que atrapalham o processo (leia mais embaixo).
Estou pensando em montar um show "revival" dos meus trabalhos, e, também, o 34º aniversário do Parto de Música Livre do Nordeste, mas como estou envolvido em outros projetos em junho, vou ter que postergar o Parto.
Fico imaginando as preciosidades musicais perdidas nesse espaço dos músicos que desistiram. Conheço vários e várias músicas, algumas geniais.
Caso eu faça o meu show, vou salvar algumas.


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