sexta-feira, janeiro 19, 2007

CULTURA ANO 2007

Se eu comecei na vida artística em 67, eu tinha 20 anos; Se vou fazer 60 anos, então vou fazer 40 anos de vida artística, igual ao meu amigo Zé Francisco, que também comemora 40 anos, só que ele em Março e eu em Junho.

Foi no dia 4 de junho de 1967 que estreei na banda de baile OS ALFAS, no salão paroquial da Igreja de Brasília Teimosa, recém aprendiz de violão. Inexperientes, tínhamos um repertório de 50 músicas que se revelou insuficiente. Na verdade, a gente não tinha a malícia de tocar cada música com 5, 6, 7 minutos de duração. Ai tivemos que repetir tudo.

Toquei tanto que meus dedos ficaram feridos. No outro dia tive que usar Xilocaína para poder tocar!

Mas o que tem a ver tudo isso?

Que eu e muita gente já vimos esse filme antes, re-re-reprisado: uma nova política cultural para Pernambuco, que afinal, nem é política e se é cultural, apenas para uma vertente.

A nomeação de Ariano Suassuna não agradou a todos, ressabiados com a sua ultima gestão à frente da Fundarpe, privilegiando somente os eventos populares. Ele, coerente, prometeu fazer a mesma coisa, embora com poucos poderes.

Menos mal, a Fundarpe ficou na mão, pela primeira vez, de uma mulher, a combativa vereadora do PT Luciana Azevedo.

Recomendo a quem vai procurar o governo para apoio cultural, levar projetos populares para Ariano Suassuna e os demais para Luciana. Assim vou fazer.

Há, como diria algum poeta, um leve aroma de esperança no ar, esperando que não seja um produto contrabandeado ou falso, porque temo muito por muito discurso e pouca ação.

Assisti, em parte, o programa Opinião Pernambuco, na TV-Universitária, em 16 de janeiro, com a presença de Luciana e do ex-presidente da Fundarpe, Raimundo Carrero.

Já vi outras pessoas que passaram por funções importantes na Secretaria de Cultura do Estado ou na Fundarpe, quando, de volta à planície, falam isso e aquilo que poderia ser feito na cultura. Mas, quando estavam no poder, por que não o fez?

Acho lamentável ver essas pessoas, quando ouvem falar de cultura, balançarem a cabeça aprovando esse ou aquele comentário... Risível, para não dizer, tragédico!

Sei que muita gente vai se irritar com os meus comentário, mas nem tou ai. Não tenho rabo preso e nunca mendiguei apoio institucional. Não sou cínico: claro que vou tentar apoio cultural, via instituição: é o meu direito e o dever deles apoiar. Como também sei que a questão pessoal conta muito.

Torci muito para que o meu amigo Claudionor Germano fosse para algum cargo importante nesse novo governo. Mas parece que as idéias deles em favor da defesa das nossas instituições culturais não encontram eco. Tem gente que pensa que ele é radicalmente conservador. Não é. É meu amigo, grande amigo, há 30 anos. Embora tenhamos algumas divergências, no todo somamos: somos intransigentemente defensores de Pernambuco.

No meu trabalho à frente do Memorial Pernambuco não me canso de defender Pernambuco contra os interesses do sul do país, lamentando que o nosso governo feche os olhos ao negócio da cultura.

Na prática, estou defendendo isso mesmo: GRANA, DINHEIRO, BUFUNFA para os artistas e produtores pernambucanos, em todos os segmentos. Temos que produzir e consumir os nossos produtos e não os alienígenas.

Por isso, fico com o pé atrás, quando vejo os discursos: Teorias, filosofias, pedagogias, pegadas, paradas.. Mas... e o mercado?

Sou contra a música brega, mas não posso deixar de reconhecer que esse segmento abre mercado para músicos, compositores, cantores, dançarinos, coreógrafos, roadies etc. ISSO É DINHEIRO!

Publiquei no portal, um trabalho, que desminto essa falácia que falta teatros em Recife. Entreguei nas mãos do Prefeito e do Presidente da FCCR o resultado. Precisamos de mais produção e menos entraves à ocupação dos espaços.

Na publicação editorial é impressionante, mas temos revistas editadas em Pernambuco. Inclusive há uma produção literária. Mas como? Pois é. A maioria das livrarias, igual múmias, não conseguem colocar numa só estante, a nossa produção literária. E, quando colocam, esquecem de colocar os outros livros que tem Pernambuco como tema (exceto a Imperatriz). E todas concordam: Pernambuco vende!

Depois continuo.

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