quarta-feira, janeiro 31, 2007

Por que não virei um advogado chato?

Minha avó sempre dizia: menino, se forme, vai ser advogado, doutor com anel no doido. Fui desobediente (milhares são assim).

Outro dia, o Velho Xaveco se encontrou comigo em plena Avenida Conde da Boa Vista (Recife, PE), em frente às Lojas Americanas, e, quase chorava no meu ombro, reclamando que poderia ter continuado no excelente emprego federal que tinha, e, desavisadamente, aposentou-se prematuramente...

Pois é. Quem mandou virar artista e intelectóide?

Foi comentando sobre o aniversário do amigo Zé Francisco, que faz 40 anos de vida artística em março, que me lembrei que também faço 40 anos em 4 de junho.

Tem nada a ver, mas falei, quando me lembrei que hoje a noite, no palco do vetusto Teatro de Santa Isabel, vai acontecer a entrega dos prêmios do projeto Janeiro de Grandes Espetáculos. Vão cometer justiças e, principalmente, injustiças.

Claro que ninguém vai se lembrar que Zé faz 40 anos, e, com certeza, alguns jurados, inoculados com a SICA (Síndrome do Carangueijo Adquirida), não escolher a sua produção e direção como melhores espetáculos. Vai passar batido.

Eu disse, outro dia (e, surpreendido fez uma revelação): "Monte mais uma vez A REVOLTA DOS BRINQUEDOS", o tipo de espetáculo que ficará em cartaz sempre, entrando até para o Guiness. E ele disse que vai remontar, e, também, fazer uma pesquisa para saber os nomes de todos que fizeram a peça em Recife. Numa conta rápida, deu mais de 300 nomes!

A gente sabe que a maioria dos nossos artistas tem o vírus no sangue (eu ia dizer em outro local, mas por questões éticas, morais, legais, me omito) e não deixa barato: ninguém é nada!

O governo de Pernambuco, outro dia, cometeu aquela gafe com J. Borges, quando foi preciso uma comissão (vixe!) para dizer o óbvio: o homem é patrimônio vivo de Pernambuco. Só quem não sabia era a Fundarpe da época (acho que Jarbas até duvidava). O mestre de cerimônia, "atacada" de SICA, disse que o homem era de Caruaru, para desespero dos colegas seus, vindos todos de Bezerros. O pessoal protesto, mas o mestre não voltou atrás...

Gostei quando Borges disse que não iria cumprir os termos do projeto, pois não precisava de se sujeitar a ninguém! Beleza! Isso está registrado na imprensa.

Amanhã publico o resultado dos prêmios, mas, como sou uma pessoa humana, falha, ineficaz e abusada, vou logo dizendo que a melhor peça do ano é ATORES DO ÓRGÃO IRRESPONSÁVEL, que deveria ganhar MELHOR DIREÇÃO (Carlos Bartolomeu), MELHORES ATORES, REVELAÇÃO DO ANO ETC.


INDICADOS AO PRÊMIO APACEPE 2007

Terminou Janeiro de Grandes Espetáculos, um grande projeto da APACEPE, com os seguintes indicados:

Comissão julgadora Teatro para Adultos:
Anco Márcio Tenório, João Ferreira e José Francisco Filho.
Mediação: Luciana Lyra.

Comissão julgadora Teatro para Crianças:
Ana Elizabeth Japiá, Breno Fittipaldi e Rubem Rocha Filho.
Mediação: Didha Pereira.

Comissão julgadora Dança:
Airton Tenório, Carlos Ataíde e Christianne Galdino.
Mediação: Thereza Rocha.


PRÊMIO APACEPE DE TEATRO E DANÇA
INDICADOS TEATRO PARA CRIANÇAS


Melhor Espetáculo:
Babau ou A Vida Desembestada do Homem que Tentou Engabelar a Morte (Mão Molenga Teatro de Bonecos)
Cegonha Boa de Bico (Troupe Teatral Espantalho)
O Amor do Galo pela Galinha D’Água (Galharufas Produções e Quadro de Cena)

Melhor Diretor:
Marcondes Lima (Babau ou A Vida Desembestada do Homem que Tentou Engabelar a Morte)
Rudimar Constâncio (Cegonha Boa de Bico)
José Manoel (Opereta de Cordel)
Samuel Santos (O Amor do Galo pela Galinha D’Água)

Melhor Ator:
Ronaldo Aguiar (Presepadas)
Edes di Oliveira (Cegonha Boa de Bico)
Arilson Lopes (Opereta de Cordel)

Melhor Atriz:
Ana Paula Arcoverde (Cegonha Boa de Bico)
Auricéia Fraga (A Duquesa dos Cajus)
Luciana Pontual (O Amor do Galo pela Galinha D’Água)

Melhor Ator Coadjuvante:
Pedro Gilberto (Cegonha Boa de Bico)
Miro Carvalho (Cegonha Boa de Bico)
Leidson Ferraz (O Amor do Galo pela Galinha D’Água)
Beto Nery (O Amor do Galo pela Galinha D’Água)

Melhor Atriz Coadjuvante:
Wanderlucy Bezerra (Cegonha Boa de Bico)
Andréa Veruska (Luzia no Caminho das Águas)
Vanessa Lins (Luzia no Caminho das Águas)
Paula de Tássia (Opereta de Cordel)
Hilda Torres (O Amor do Galo pela Galinha D’Água)

Ator Revelação:
Jaquison Santana (Presepadas)
Márcio Tomaz (O Amor do Galo pela Galinha D’Água)
Augusto Mendonça (O Amor do Galo pela Galinha D’Água)

Atriz Revelação:
Clara Camarotti (A Duquesa dos Cajus)
Gildete Santiago (A Duquesa dos Cajus)

Melhor Trilha Sonora:
Cegonha Boa de Bico (Ediel Guerra e Júnior Caboclo)
Opereta de Cordel (Sônia Guimarães e Ricardo Mello)
O Amor do Galo pela Galinha D’Água (Demétrio Rangel e Samuel Santos)

Melhor Iluminação:
Babau ou A Vida Desembestada do Homem que Tentou Engabelar a Morte (Sávio Uchôa)
Opereta de Cordel (Saulo Uchôa)
O Amor do Galo pela Galinha D’Água (O Poste Soluções Luminosas)

Melhor Cenário:
Babau ou A Vida Desembestada do Homem que Tentou Engabelar a Morte (Marcondes Lima)
Luzia no Caminho das Águas (Luciano Pontes)
O Amor do Galo pela Galinha D’Água (Java Araújo)

Melhor Figurino:
Cegonha Boa de Bico (Pedro Gilberto)
Luzia no Caminho das Águas (Luciano Pontes)
Opereta de Cordel (Carlos Lira)
O Amor do Galo pela Galinha D’Água (Java Araújo)

Melhor Maquiagem:
Cegonha Boa de Bico (Pedro Gilberto)
O Amor do Galo pela Galinha D’Água (Java Araújo)
Opereta de Cordel (Carlos Lira)

INDICADOS TEATRO PARA ADULTOS


Melhor Espetáculo:
As Criadas (Cênicas Cia. de Repertório)
Mucurana – o Peixe (Cia. Construtores de Histórias)
Atores do Órgão Irresponsável (Cia. do Chiste: Os Comediantes de Pernambuco)
A Chegada da Prostituta no Céu (Cia. Omoiós de Teatro e Página 21)

Melhor Diretor:
Marcondes Lima e Kleber Lourenço (As Criadas)
Carlos Bartolomeu (Atores do Órgão Irresponsável)
Carlos Carvalho (Mucurana – o Peixe)
Manoel Constantino (A Chegada da Prostituta no Céu)

Melhor Ator:
Jorge de Paula (As Criadas)
Quiercles Santana (Pás & Picaretas)
Rodrigo Cunha (Atores do Órgão Irresponsável)
Zaza (Mucurana – o Peixe)
Marinho Falcão (O Capataz de Salema)

Melhor Atriz:
Não houve indicação

Melhor Ator Coadjuvante:
Gilberto Brito (Mucurana – o Peixe)
Ricardo Neves (As Criadas... Mal Criadas)
Eduardo Japiassú (As Criadas)
Pascoal Filizola (A Chegada da Prostituta no Céu)
Manuel Carlos (O Capataz de Salema)

Melhor Atriz Coadjuvante:
Não houve indicação

Ator Revelação:
Não houve indicação

Atriz Revelação:
Não houve indicação

Melhor Trilha Sonora/Direção Musical:
O Canto do Teatro Brasileiro 1 (Marcelo Sena)
O Capataz de Salema (André Filho)
As Criadas (Marcelo Sena)
Atores do Órgão Irresponsável (Carlos Bartolomeu)
A Chegada da Prostituta no Céu (Demétrio Rangel)

Melhor Iluminação:
O Capataz de Salema (André Filho)
As Criadas (Sávio Uchôa)

Melhor Cenário:
As Criadas (Marcondes Lima)
O Capataz de Salema (Manuel Carlos e André Filho)
Amor em Tempo de Servidão (Gabriel Sá)

Melhor Figurino:
As Criadas (Marcondes Lima)
A Chegada da Prostituta no Céu (João Neto)

Melhor Maquiagem:
As Criadas (Marcondes Lima)
O Capataz de Salema (Manuel Carlos)
A Chegada da Prostituta no Céu (João Neto)

Será concedido ainda um Prêmio Especial


INDICADOS DANÇA


Melhor Espetáculo:
Jandira (Kleber Lourenço)
Calunga (Viviane Madureira)
Sobre Nossos Corpos (Etc Dança Contemporânea)
Fervo (Valéria Vicente e Ig Projetos e Produções Artísticas)

Melhor Coreógrafo:
Viviane Madureira (Calunga)
Valéria Vicente (Fervo)
Kleber Lourenço (Jandira)

Melhor Bailarino:
Kleber Lourenço (Jandira)
Jáflis Nascimento (Fervo)
Juan Guimarães (B.A.Q.U.E.)
Sebastião de Lima – Seu Martelo (Ilha Brasil - Vertigem)

Melhor Bailarina:
Viviane Madureira (Calunga)
Iane costa (Fervo)
Januária Finizola (B.A.Q.U.E.)

Melhor Trilha Sonora:
Calunga (Sônia Guimarães e Luciana Lyra)
Jandira (Bu Moraes)
Fervo (Silvério Pessoa e Yuri Queiroga)

Melhor Iluminação:
Fervo (Saulo Uchôa e Sávio Uchôa)
Calunga (Eron Villar)
Sobre Nossos Corpos (Saulo Uchôa)

Melhor Cenografia:
Sobre Nossos Corpos (Kleber Lourenço, José W. Júnior e Saulo Uchôa)
Calunga (Anselmo Madureira)

Melhor Figurino:
Calunga (Gustavo Silvestre)
Ilha Brasil – Vertigem (Gustavo Silvestre)

terça-feira, janeiro 30, 2007

Estar ou Ser Músico

Continuando...

Descobri, sem me lembrar, que no dia 4 de junho farei 40 anos de atuação cultural. Foi num sábado, no primeiro andar do salão paroquial da Igreja de Brasília Teimosa, em Recife. Era guitarrista, de base (só acompanhamento) da banda OS ALFAS, ex-OS BETAS. No repertório, apenas 40 músicas que se mostraram insuficientes pela nossa inexperiência.

Só aguentei 3 anos, irritado pela mesmice. Depois comecei a compor, participar de shows, nada que fosse muito responsável. O primeiro casamento me atrapalhou.

Não adianta chorar pelo leite derrramado. Muitos vão contar histórias parecida, outras mais dramáticas, e, assim, como eu, ficaram no meio do caminho.

Por exemplo, do grupo que participou do Projeto Pernambué, em 1990, 20 músicos, alguns ainda estão em destaque, como Valdir Afonjá (não em Recife) ou Lula Queiroga. Mais ninguém.

Quantos estão poraí, escondidos no porão do esquecimento? Quantos ainda insistem sazonalmente ou sem interrupção? Quantos ficaram nos barzinhos da vida?

O teatro conseguiu sair da redundância, na década de 80, quando começaram as temporadas, se viabilizando comercialmente.

Os músicos não conseguem a união que o teatro, mesmo em pernas de pau, conseguiu. Já falei das divisões profissionais que atrapalham o processo (leia mais embaixo).

Estou pensando em montar um show "revival" dos meus trabalhos, e, também, o 34º aniversário do Parto de Música Livre do Nordeste, mas como estou envolvido em outros projetos em junho, vou ter que postergar o Parto.

Fico imaginando as preciosidades musicais perdidas nesse espaço dos músicos que desistiram. Conheço vários e várias músicas, algumas geniais.

Caso eu faça o meu show, vou salvar algumas.

terça-feira, janeiro 23, 2007

BUMBUNS CANTANTES

Brega, Forró moderno, Axé Music, Calypsos, Terremotos, Tornados etc, onde as principais atrações visuais não são músicos instrumentistas e nem cantores: Pelvis, pelvis...

Fico imaginando o batuque original do Nação Zumbi, Antônio Nóbrega, Lenine e afins, arrodeado de donzelas de bumbuns com fio dental, levantando as genitálias por narizes nunca dantes navegados!

E o que pensar de centenas de músicos pernambucanos, como Almir Oliveira, Luiz Carlos Sady, Hélcio Clemente, Rosana Simpson, Tito Lívio etc, que não abrem concessões para os modelitos musicais contemporâneas tão ao gosto das tvs pélvicas?

Ou 8 ou 80: Ou se apresenta na Sopa Diária ou no Tribuna Show (ia dizer Muito Mais, mas Deny Oliveira detonou...). Não há meios termos.

Ai fico me lembrando de um papo, sentados no meio fio na beira de um caminho que tinha várias pedras, eu e Julio Samico:

"Vamos fazer uma divisão da nossa música:
- músicos de baile
- músicos de bar
- músicos de estúdio
- músicos de shows
Interessante, concluímos, não se misturam".

Conheço músicos/compositores, que passaram a vida toda dando murro em ponta de faca e nunca sairam do lugar. Em Pernambuco são centenas. Eu sou um deles. Mas me lembro dos talentosos Ivinho do Recife, Israel Semente (já falecido), Dicinho, Ivan Morais (por onde anda?), Licah etc.

Ou de outros que chegaram perto mas mudaram de nau, como Marco Polo, Lailson, Clériston e tantos outros.

Fico me perguntando isso, quando vejo o que o escândalo Deny Oliveira provocou na tv pernambucana: detonar o programa Muito Mais (Canal 2), e provalvelmente o Tribuna Show (Canal 4), pois os pais das donzelas que hoje não são feras, ficaram assustados. Muito mais assustados ficaram os produtores de tv, pra voces verem...

Devo ser um péssimo profissional de comunicação (já fui produtor da tv Jornal e diretor de criação da Rádio Cidade, além de profissional free lancer), pois não consigo entender que tanto os mídias das agências de propaganda como os diretores das emissoras de tv, não enxergam nichos de mercados nos públicos da Cena Pernambucana, por exemplo, com dezenas de artistas e grupos, que poderiam ser Muito Mais, Pra Você ver! E ainda posso argumentar que são segmentos de público, qualificados, com alto poder aquisitivo...

E agora, a Tv Jornal e a Tv Tribuna, num mea culpa apressado, tentam mostrar que podem fazer cultura nos seus programas, e, o resultado ainda está incomensurável, para não dizer que algo está errado.

Digo e repito: Se o Brasil sofre o colonianismo americano, Pernambuco sofre o colonianismo de Rio e São Paulo. Ou seja: não temos cara nem coração!

sábado, janeiro 20, 2007

Opinião da cantora e produtora Rosana Simpson:

Don Antonio!!!Saúde e paz!!!

Parabéns por suas iniciativas em prol da cultura da nossa terra!!!

Isso prova que "se realmente quisermos", conseguiremos juntar artes & artistas - encabeçadores individuais, todos juntos reunidos numa mesma luta: sobreviver da arte dignamente!!!

Isso é nosso direito - através dos fundos de cultura - dinheiro público – que assegura que todo artista tenha sua passagem registrada neste planeta, no mundo vasto das artes, através seu trabalho menos é o que as leis de incentivo cultural falam!

Agora, se é isso que acontece ou não, é uma outra história!!! Só sei que é preciso que “todos sejam mais politizados” e que estejam bem sintonizados nesses ideais que todos fossem mais "corajosos" para peitar o sistema imposto há décadas, através de reuniões, de conversas, onde fossem expostas opiniões e idéias novas para nossa vida artística, que teve poucos avanços, entre governos e governos.

Os grandes responsáveis pela nossa própria situação somos "nós mesmos”... que preferimos baixar a cabeça, botar o rabinho entre as pernas, se calar e se conformar!!! Precisamos chegar mais junto das entidades, instituições e pessoas que manipulam a cultura.

Cobrar mais, nos reunir mais. Acho que seria um bom começo para as mudanças de que tanto precisamos. Acredito "ainda" que existam pessoas "normais" dentro das instituições do governo - na área Cultural - que podem fazer muito por nós. Vamos aguardar e analisar os acontecimentos a partir deste novo governo.

Depois poderemos fazer “mais uma avaliação”, que espero sinceramente, diferente, positiva, dando “sinal verde” para "todos os artistas" de Pernambuco!

Acredito na inteligência, na força e na boa administração da mulher!!!

Aquele abraço,

Rosana Simpson.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

CULTURA ANO 2007

Se eu comecei na vida artística em 67, eu tinha 20 anos; Se vou fazer 60 anos, então vou fazer 40 anos de vida artística, igual ao meu amigo Zé Francisco, que também comemora 40 anos, só que ele em Março e eu em Junho.

Foi no dia 4 de junho de 1967 que estreei na banda de baile OS ALFAS, no salão paroquial da Igreja de Brasília Teimosa, recém aprendiz de violão. Inexperientes, tínhamos um repertório de 50 músicas que se revelou insuficiente. Na verdade, a gente não tinha a malícia de tocar cada música com 5, 6, 7 minutos de duração. Ai tivemos que repetir tudo.

Toquei tanto que meus dedos ficaram feridos. No outro dia tive que usar Xilocaína para poder tocar!

Mas o que tem a ver tudo isso?

Que eu e muita gente já vimos esse filme antes, re-re-reprisado: uma nova política cultural para Pernambuco, que afinal, nem é política e se é cultural, apenas para uma vertente.

A nomeação de Ariano Suassuna não agradou a todos, ressabiados com a sua ultima gestão à frente da Fundarpe, privilegiando somente os eventos populares. Ele, coerente, prometeu fazer a mesma coisa, embora com poucos poderes.

Menos mal, a Fundarpe ficou na mão, pela primeira vez, de uma mulher, a combativa vereadora do PT Luciana Azevedo.

Recomendo a quem vai procurar o governo para apoio cultural, levar projetos populares para Ariano Suassuna e os demais para Luciana. Assim vou fazer.

Há, como diria algum poeta, um leve aroma de esperança no ar, esperando que não seja um produto contrabandeado ou falso, porque temo muito por muito discurso e pouca ação.

Assisti, em parte, o programa Opinião Pernambuco, na TV-Universitária, em 16 de janeiro, com a presença de Luciana e do ex-presidente da Fundarpe, Raimundo Carrero.

Já vi outras pessoas que passaram por funções importantes na Secretaria de Cultura do Estado ou na Fundarpe, quando, de volta à planície, falam isso e aquilo que poderia ser feito na cultura. Mas, quando estavam no poder, por que não o fez?

Acho lamentável ver essas pessoas, quando ouvem falar de cultura, balançarem a cabeça aprovando esse ou aquele comentário... Risível, para não dizer, tragédico!

Sei que muita gente vai se irritar com os meus comentário, mas nem tou ai. Não tenho rabo preso e nunca mendiguei apoio institucional. Não sou cínico: claro que vou tentar apoio cultural, via instituição: é o meu direito e o dever deles apoiar. Como também sei que a questão pessoal conta muito.

Torci muito para que o meu amigo Claudionor Germano fosse para algum cargo importante nesse novo governo. Mas parece que as idéias deles em favor da defesa das nossas instituições culturais não encontram eco. Tem gente que pensa que ele é radicalmente conservador. Não é. É meu amigo, grande amigo, há 30 anos. Embora tenhamos algumas divergências, no todo somamos: somos intransigentemente defensores de Pernambuco.

No meu trabalho à frente do Memorial Pernambuco não me canso de defender Pernambuco contra os interesses do sul do país, lamentando que o nosso governo feche os olhos ao negócio da cultura.

Na prática, estou defendendo isso mesmo: GRANA, DINHEIRO, BUFUNFA para os artistas e produtores pernambucanos, em todos os segmentos. Temos que produzir e consumir os nossos produtos e não os alienígenas.

Por isso, fico com o pé atrás, quando vejo os discursos: Teorias, filosofias, pedagogias, pegadas, paradas.. Mas... e o mercado?

Sou contra a música brega, mas não posso deixar de reconhecer que esse segmento abre mercado para músicos, compositores, cantores, dançarinos, coreógrafos, roadies etc. ISSO É DINHEIRO!

Publiquei no portal, um trabalho, que desminto essa falácia que falta teatros em Recife. Entreguei nas mãos do Prefeito e do Presidente da FCCR o resultado. Precisamos de mais produção e menos entraves à ocupação dos espaços.

Na publicação editorial é impressionante, mas temos revistas editadas em Pernambuco. Inclusive há uma produção literária. Mas como? Pois é. A maioria das livrarias, igual múmias, não conseguem colocar numa só estante, a nossa produção literária. E, quando colocam, esquecem de colocar os outros livros que tem Pernambuco como tema (exceto a Imperatriz). E todas concordam: Pernambuco vende!

Depois continuo.