segunda-feira, novembro 13, 2006

O CRIME COMPENSA, SIM

Vamos refrescar a memória:
O médico pediatra que dopava e abusava as crianças;
O estuprador que transava com as crianças viva, matava, transava com a criança morta; ah, e ainda cortava uns pedacinhos, colocava num frigideira (provavelmente teflon) uns pedacinhos da bundinha da criança e devorava ela novamente;
O doutor juiz acima de qualquer suspeita que roubava à luz do dia, curtia a noite nas boites, afanava milhões de reais;
O deputado que tinha uma paixão por serra elétrica, especialmente testando-a no corpo dos seus inimigos;
Finalizando, um promotor que apurava corrução no Banco do Brasil de pessoas que pegavam empréstimos para plantar mandioca, morreu assassinado.
O que em comum?
Todos foram e/ou estarão em liberdade em poucos anos.
E você como é que fica com essa cara de palhaço, idiota. Você, sim, internauta, é um idiota de um babaca, assim como eu, um tremendo de um babaca feito vocês, que ralamos, somos honestos, não roubamos nem um bozó nas Americanas, e morremos de medo de ser preso injustamente.
Pois é, palhaços! Nós temos um Q. I. menor do que uma barata!
De 4 em 4 anos votamos e escolhemos os mesmos corruptos deputados e senadores corrutos, como é reconhecidamente público. A minoria decente do Congresso não pode fazer nada. Nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada.

domingo, novembro 12, 2006

MAIS UMA LUTA

Meses atrás, a Prefeitura do Recife ameaçou arrancar mais de uma dezena de centenárias árvores na rua da Moeda, sob a desculpa de uma re-urbanização.

Representando a nossa entidade, o Memorial Pernambuco, convocamos a União Brasileira de Escritores, a Academia de Letras, e, principalmente o Instituto Arqueológico e Histórico de Pernambuco, visando fazer uma manifestação na rua. A Prefeitura, avisada, recuou. Não foi preciso radicalizar. O bom senso imperou.

Atualmente, estamos de braços dados com a Prefeitura para resolver o problema do cinema São Luiz, embora esta queira atuar sozinha. A nossa proposta foi a criação de uma organização não-governamental, com a participação principal da Prefeitura, de várias entidades culturais e de representante da empresa Luis Severiano Ribeiro. Agora, fazemos parte de um grupo de acompanhamento, junto com a Prefeitura, para ver uma solução.

Agora, vem outra luta, que o Nilzardo Carneiro Leão, presidente do Instituto Histórico, já tinha nos alertado: uma questão pertinente ao espaço do Sítio da Trindade.

Dia 30, vai haver uma reunião, presidida mais uma vez pelo vereador Luiz Helvécio, para uma negociação. O nosso interesse é que o projeto da Usina de Cultura possa ir para outro espaço, preservando aquele sítio histórico.

O nome original era Arraial do Bom Jesus. Mas a revolução de 64 mudou para Sítio da Trindade, pois o Arraial era a sede do execrado Movimento de Cultura Popular. Veio a democracia e o nome não voltou.

Pois devemos exigir a volta do nome antigo.

MORRO DE MEDO DE MORRER DE CANCER...

... antes de comer milhões de chocolate;
... antes de ver todos os lançamentos de filmes desta década;
... antes de lançar os meus dez livretos que terminei de escrever;
... antes de realizar o meu show Braziu com Ç;
... antes de realizar a minha exposição de arte cibernética;
... antes de produzir e dirigir o longa metragem Frei Caneca;
... antes de encenar a minha peça experimental O Manipulador;
... antes de ver instalada a Casa do Memorial de Pernambuco;
... antes de criar o Forum das Entidades Não-Governamentais Culturais de Pernambuco;
... antes de realizar a Exposição Pernambucanos Imortais;
... antes de instalar a primeira WebTv de Pernambuco;
... antes de produzir e transmitir o programa semanal Pernambucanos D+;

Tão vendo? Tenho muito que fazer. Se não fosse tudo isso, por que teria medo?

O câncer me apareceu de surpresa, na noite de 22 de dezembro de 2004. Já passei por uma bateria de quimioterapia de 12 sessões, que me obrigava a me internar 3 dias e 2 noites (semana sim, semana não); agora estou na segunda bateria, que acontece um dia na semana (1 semana sim, 2 semanas não); estou às vésperas de uma provável terceira bateria (ou não), onde provavelmente vou me internar para me submeter a uma quimioterapia direto no fígado.

O tratamento em si não me causa muitos danos psicológicos, nem fico chateado porque estou careca; enjôos, cólicas, se combate com medicamentos; mas, ver gente morrendo ao lado, quando estou internado, isso sim, arrasa qualquer um, o que é contraditório num tratamento contra o câncer, pelo estresse que causa. Só fato de saber que vou me internar, me deixa deprimido e irritado.

Fora isso, estou encarando positivamente, me animando, e, principalmente animando os outros. Não me importa o que está ocorrendo por dentro de mim, e sim como posso levar otimismo às pessoas à minha volta.

Dei azar, como me disse um médico famoso, particular, que me deu 6 meses de vida, 10 meses atrás. 80% conseguem sucesso no meu tratamento. Estou nos 20%. Como nunca tive sorte em loterias, dei azar no jogo da vida.

Mas estou levando tudo de queixo erguido, tentando correr atrás dos meus sonhos, pois a doença me fez apontar a bússola para um destino, me tirando da deriva que estava.

Por isso, hoje, me dedico full time ao projeto Memorial Pernambuco. Este é meu sonho. Por que temer?

E, para finalizar, tenho um diálogo diário e uma frase que pronuncio sempre:"Jesus Misericordioso, confio em vós", que me dá forças para seguir em frente. E eu só posso agradecer a Deus, a oportunidade que estou tendo.

A doença uniu a minha familia, fazendo todos mais próximos. Sei que a minha esposa, intimamente, sofre muito com tudo isso. Mas sou uma pessoa que não pode e nem deve esmorecer. De tudo tiro uma coisa positiva e assim tenho feito. Poderia ser pior: o câncer está num lugar fatal, rápido, doloroso.

Agora, vou começar a pesquisar novas maneiras de sair dessa, buscando informações sobre novos tratamentos, até mesmo, se for possível, me oferecer de cobaia.

Gosto de ajudar as pessoas, e estou fazendo isso, principalmente com os meus colegas de tratamento, levando palavras de incentivo, e, até mesmo, sugerindo ações, como está acontecendo com um colega que está tendo problemas.

Vamos em frente!

terça-feira, novembro 07, 2006

CINEMA NACIANAL 2

O que há em comum entre os filmes O INVASOR (2001) de Beto Brant e O SACRIFÍCIO (2006) de Neil Labute (refilmagem de O Homem de Palha de 1973)? O fim irritante.

A minha mulher é um termômetro de filme bom, só que ela é radical: "o brasileiro não sabe fazer um filme como os americanos".

Quer dizer, tem muito lixo do lado de lá como do lado de cá, pois tanto cá como lá, a maioria é lixo, só que o lixo parece maior por causa da menor quantidade de filmes produzidos, o que deixa mais transparente os filmes ditos "ruins".

Como não sou crítico de cinema, apenas um grande e antigo espectador fánatico, fico com a maioria que gosta de finais felizes.

O engraçado é que quando o pessoal de cá mete o pau nos filmes de lá, por causa do formato "americano", sem prescindir das calças "jeans", das cocas (colas e das outras), chicletes e dos modismos ditos xenófobos, ou seja, nada de coerências!

Assim, estou sendo coerente quando digo que tanto cinema, como música ou teatro, são negócios como outros quaisquer, que tem que dar lucro.

Ora, acontece que quando o cineasta (ou produtor) recebe dinheiro público para fazer um filme, sem se preocupar com a bilheteria (pois os custos já estão "pagos'), lá vem preciosidades herméticas e restritas a uma elite intelectóide.

Se a gente quer conquistar o mercado, ou fazer mercado, ou atender à demanda reprimida, temos que combater (ou produzir) com as mesmas armas.

O cinema francês tem sucessos como Nikita (refilmado pelos americanos), ou os grandes sucessos comerciais dos italianos que produziram, na década de70, os faroestes (logo chamado de espaguetes), ou os chineses produzindo uma revoada de filmes de luta, sendo Bruce Lee o seu maior exemplo.

Quase ninguém sabe que o maior ou segundo maior produtor de filmes no mundo, é a Índia, embora não chegue poraqui as suas produções, por causa de uma grande problema (este sim, uma grande questão): o domínio das distribuidoras americanas no Brasil.

Aí é que tá o nó. Pois com o domínio das distribuidoras americanas e a sua sede centralizada no centro-sul, aumentam os custos de distribuição para os cinemas de rua, causando o fechamento de cinemas do interior, ou, pior, com a falta de distribuidores de filmes franceses, italianos, japoneses, indianos, coreanos etc, ficamos a ver navios, digo, filmes americanos.

Significa que a coisa funciona ao contrário: se não tiver distribuidores brasileiroso em outros paises, nada de demanda de filmes brasileiros. Sim, meu véio, o nó é a distribuiição, seja em cinema, música ou literatura.

Demanda há, produção existe, mas cadê a distribuição?

Mas, voltando ao filme O INVASOR, o que me incomoda, como espectador, é como uma história tão interessante, com a participação excepcional de Paulo Miklos (criando uma personagem inesquecível) morre na praia, com um filme muito artístico, bem ao gosto dos intelectuais, o que de uma certa forma prejudica o formato.

Faz parte da tradição cinematográfica brasileira, finais infelizes, dramáticos, realistas, pseudorealistas, como um "mea culpa" da dominação estrangeira (leia-se americana) na nossa cultura com uma propaganda dominada pelos costumes alienígenas, como demonstra recentes outdoor em inglês e os nomes em inglês de milhares de empresas nacionais,

Assim, não perdoe essa hipocrisa na nossa cultura, colocando a culpa em Hollywood, como agora estão culpando a Globo pelos sucessos dos filmes da Globo Filmes.

Mas, como disse um amigo meu avesso à cultura, isso tudo acaba quando chega o convite para tal ou qual pessoa fazer parte da Globo...

domingo, novembro 05, 2006

O que se foi sem nunca ter tido

Hoje o teatro está de luto: fechou um teatro em Recife, o Artplex, indo sem ter vindo. Nunca se destacou na nossa cidade, embora seja integrante da região metropolitana, mais precisamente da vizinha Jaboatão dos Guararapes.

Jaboatão não tem teatro. Os bairros períiféricos a Piedade, não tem cara de serem de outra cidade, e, sim uma extensão do Recife. Tem gente que nem se preocupa em consertar o CEP: coloca o número correto mais com o nome da cidade errado. Isso faz Jaboatão perder um pouco da personalidade de cidade praieira. Quem mora lá não se tem morando em Jaboatão, e, sim, em Recife.

Daí, inconscientemente, a perda ser menor. Recife tem muitos teatros (tem sim, embora muitos desativados, inoperantes ou em reforma eterna). Mas Jaboatão perdeu o que não tinha.

Isso vem bem a propósito de um bate papo entre três encenadores: Zé Francisco, Carlos Bartolomeu e Don Antonio (embora, dos três, o com menos experiência) em direção): Estamos perdendo público!

As Cinderelas da vida dão uma ilusão de conquista de público mas isso é uma falácia (Êpa! Não estou escumlhambando, não!). Besteirol com gays sempre atraiu público, como o finado Vivencial Diversiones de quem a Trupe do Barulho é descendente. O pessoal vai ver o escracho, palavrões, pornofonias, pornovisuais etc. Não é um público de teatro.

O público tradicional, que sempre oscilou numa média entre 70 a 100 espectadores, esse ficou órfão.

Não sai de casa para ver peças herméticas ou experimentais. Eu também não me dou ao trabalho. Defendo a tese da criação de um Teatro Pernambucano de Comédias, juntando os nossos melhores encenadores como Zé Francisco (muito bem em comédias), Carlos Bartolomeu, Carlos Varella, José Pimentel, Joacir de Castro, Lúcio Lombardi e outros, como uma forma de alavancar o nosso teatro, formando platéias.

É feito a crítica que fiz a Amarelo Manga: em vez de atrair, afugenta. Precisamos reforçar o teatro. Se Recife tivesse 30 casas de espetáculos em funcioamento, dezenas de grupos, haveria espaço para experimentalismos, vanguardas, performances, mas, gente, a gente sabe que o público disso tudo cabe no foyer do Santa Isabel...

Enquanto isso, as entidades de classe perdem a classe e ficam brigando entre si, enquanto os espaços ficam ociosos.

PRÉ-ESTRÉIAS NO TEATRO

Duas excepcionais pré-estréias teatrais sábado, 4 de novembro de 2006: A DUQUESA DOS CAJUS e ATORES DO ÓRGÃO IRRESPONSÁVEL, respectivamente Teatro Armazem e Teatro Joaquim Cardozo.

A DUQUESA DOS CAJUS, dirigida por José Francisco Filho, está sendo apresentada exclusivamente para escolas municipais da Prefeitura do Recife e, depois disso, somente nas escolas.

Segundo Paula de Renor, Benjamim Santos presenteia Recife pelas mãos competentes de José Francisco Filho, tirando do marasmo as peças infantis atualmente apresentadas nas escolas privadas da nossa capital, constituindo numa grande encenação didática pelo seu conteúdo universal e nacional (ver o site da peça, clicando aqui).

Como sou suspeito de falar da peça de Zé Francisco, pois faço parte de uma entidade que está o apoiando (e também não sou crítico de teatro), encerro por aqui.

Agora a peça ATORES DO ÓRGÃO IRRESPONSÁVEL, uma produção da TELAC e COMPANHIA DO CHISTE, direção de Carlos Bartolomeu promete fechar o ano de 2006 com chave de ouro, apresentando três grandes comediantes: Paschoal Felizola, Rodrigo Cunha e Rogério Bravo.

A peça tem dois atos: ATORES DA NOITE (texto de Carlos Bartolomeu) e O CORAÇÃO É UM ÓRGÃO IRRESPONSÁVEL (texto de Walther Moreira Santos).

O pequeno teatro Joaquim Cardoso botava gente pelo ladrão, o que deixa qualquer um de teatro à vontade. O riso correu solto, descontraído e debochado, com os deboches escrachados da representação.

Para se ter uma idéia do que é a peça, pois sou um péssimo cronista teatral, transcrevo a chamada nos folhetos: "Nós sabemos o que você faz nos cinemas, nas ruas escuras, só ou acompanhado. O que você apronta nos bares, saunas e boates, na sua escola, até mesmo, no recesso sagrado do seu próprio lar". E, conclue, ameaçando: "E nós vamos contarrrrr".

E contam mesmo. Desnudam os ambientes gays e heteros dos mais recônditos espaços nelsonrodrigueanos (sim, vi alguma coisa de Nelson Rodrigues) de qualquer cidade metropolitana, chegando em alguns momentos a causar quase um choque, mas é tudo colocado de uma maneira tão delicada que você não sente.

O teatro dirigido por Carlos Bartolomeu prova que pode ser feito um teatro alegre, humorador, engraçado, de massa, sem cair na pornografia gratuita dos espetáculos a la Cinderela cuja fórmula está cansando. Diverte com escracho e alegria. Debocha com muito humor. Pra mim sã duas as peças do ano: Poemas Esparadrápicos e Atores do Órgão Irresponsável!

quinta-feira, novembro 02, 2006

SITE DE FREVO

Transcrevo, sem comentários (e precisa?), reportagem do site Pe360graus, sobre o site de frevo:

"
Banco de partituras
Um banco on-line de partituras de frevos, que possa ser consultado a qualquer hora por
músicos amadores ou profissionais em busca de informações sobre o ritmo mais conhecido
da cultura pernambucana. A idéia que fez nascer o site Frevos de Pernambuco
(www.frevo.pe.gov.br), em fevereiro de 2006, é inegavelmente boa.

Na prática, porém, o site não cumpre totalmente aquilo que promete, e por uma razão
bastante simples: a quantidade de partituras não representa, nem de longe, a riqueza cultural
do frevo. Grandes sucessos do ritmo, como o imortal “Vassourinhas”, não estão
contemplados lá. E não há menção ao nome de Teodoro Matias da Rocha, autor da canção
mais tocada do Carnaval de Pernambuco.

Durante o lançamento do site, o Governo do estado – que bancou a iniciativa – prometeu
incluir as partituras completas de 75 músicas, criadas por 35 compositores. Oito meses
depois, o banco de dados oferece para download as partituras e arquivos MID (trechos de
músicas) de apenas 42 canções.

Ao todo, apenas dez compositores foram contemplados, sendo que seis deles estão
presentes com apenas uma canção cada. O material só é realmente farto para dois nomes:
Capiba (15 músicas) e Edgar Moraes (15).

No caso das músicas que constam do site, o material é de boa qualidade. Na página
correspondente ao sucesso “Madeira que Cupim Não Rói”, por exemplo, é possível fazer o
download das partituras de onze diferentes instrumentos, mais a melodia. A letra da canção
(“Madeira do Rosarinho/Vem à cidade sua fama mostrar”) e um arquivo MID com a melodia
principal também estão disponíveis".

fonte: www.pe360graus.com.br/frevo

quarta-feira, novembro 01, 2006

MÚSICA DE PERNAMBUCO


Quem me conhece sabe que não sou e nunca fui atacado pela SICA (Síndrome do Caranguejo Adquirida). Às vezes fico acanhado de criticar alguma coisa de Pernambuco, pois fica aquela impressão de que não se deveria criticar nada.

Estou errado. Não sou do time do "que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil", que tem sua corruptela: "O que é bom para o Brasil é bom para o Pernambuco". Sou o contrário. O que é bom para Pernambuco é bom para o Brasil. Afinal, carregamos o Brasil nas costas desde o que esta terra virou nossa pátria aqui. Isso aconteceu até metade do século 19.

Diferente de muita gente, sei muito bem em que votei nas últimas eleições, pois mantenho sempre os mesmos candidatos, alguns deles, apesar de tudo, do PT, embora não seja filiado e não desconfie de um presidente que não sabe de nada...

Gostei da vitória de Eduardo Campos. Não gostaria que Humberto fosse eleito. A gente sabe que o PT daqui é um saco de gatos, e eu não iria saber em que saco a gente ia aturar.

Mas foi bom porque muita gente da cultura vai ficar desempregada, e, quem sabe, depois de tantos anos, diria décadas, alguma coisa mude para melhor tanto na cultura como no turismo, já que a Secretaria de Cultura, pelo menos, será re-recriada.

Istou dizendo isso por causa de duas questões: a cultura e o turismo. O último item eu fala amanhan. Mas a cultura....

Por exemplo: o governo de Pernambuco mantém dois sites sobre cultura: o Frevo de Pernambuco e a Música de Pernambuco. Como sou produtor cultural, programador visual e webdesigner, tenho moral para criticar.

O site de Frevo não tem os intérpretes, fato que os organizadores, respondendo meu email, disseram que o site é destinado a músicos profissionais, em busca de partituras. É? Mas na primeira página do site não tem essa informação, o que deixa o internauta confuso. Então, se perdeu uma boa oportunidade de se homenagear os grandes intérpretes do nosso carnaval. Eu jamais faria um site desse jeito. Poderia contemplar todos os envolvidos no carnaval e colocar as partituras. Um serviço à nossa cultura. Do jeito que está, é coisa de quem pensa pequeno.

O site recém lançado, Música de Pernambuco, já incorre em vários erros: Primeiro, um visual caótico, sem objetividade e uma classificação polêmica, como bem citou a Folha de Pernambuco em data de 31 de outubro, que reproduzo a nota:

"Esquisito - No novo site Música de Pernambuco o forró e o maracatu não são nem música popular brasileira, nem cultura popular. O último virou música de carnaval e Silvério Pessoa não faz música urbana. Decisões arriscadas num espaço que pretende vender nosso repertório para fora. E ainda esquecendo artistas como Caju & Castanha."

Parece uma caldeirada de uma panelada, onde foi necessário um "curador" para selecionar os artistas. Precisava disso? No nosso portal, Memorial Pernambuco, temos um critério para selecionar os nomes que estão ali incluídos: não ter critério (tem sim, ser pernambucano da gema ou do coração, o que na prática engloba todo mundo). Os ícones não tem um sobre-texto que informa aonde estamos (bem, como uso o Moziila, não funcionou, talvez funcione no Internet Explorer, o que é outra falha).

O interessante é que a Fundarpe parece que não tem birô, telefone, fax, emails, telex, telegrama, carro, fora os recursos humanos, para produzir o conteúdo do site, colhendo, dos interessados (os artistas) textos, fotos etc. Simples falta de interesse, porque competência tem.

Internauta tem horror de entrar num site e descobrir que faltam texto e fotos, colocando a culpa no artista. Eu faço sozinho o portal Memorial, por enquanto, que já tem mais de 3000 itens de informação (e mais de 2.500 ilustrações), usando apenas internet e às vezes telefone. O portal é consultado no mundo inteiro (curiosamente, muito mais pelos brasileiros na Europa). Sim, tem falhas, como alguns textos que faltam para alguns itens. Mas conteúdo tem! Não coloco mais, porque estou ocupado com outros projetos do Memorial, esperando que um dos nossos projetos, que vai profissionalizar o portal, seja aprovado. Por uma questão de coerência, sequer somos cadastrados no Funcultura, por motivos óbvios (ululantes, como diria Millôr Fernandes).

Só que no site da Mùsica de Pernambuco, a exceção é uma regra. Falta conteúdo. E olha que tem gente trabalhando nele, até patrocinadores. Nós não temos nenhum e fazemos um trabalho com muito esforço e competência. O curioso é que o próprio site da Fundarpe, na sua primeira página, não tem links (ou banners) para nenhum dos dois sites da própria entidade! O que mostra que não há uma preocupação em bem informar.

Para finalizar, outra falha lamentável, é o descuidado com o domínio do site. Sei, por necessidade profissional, que o melhor domínio tem duas terminações, que todo mundo conhece: .com ou .com.br.

A Fundarpe vai se justificar dizendo que como é uma entidade, o endereço só poderia ser www.musicadepernambuco.pe.gov.br, deixando brecha para alguém registrar o www.musicadepernambuco.com.br ou www.musicadepernambuco.com. Outra desculpa furada, pois o governo tem um site .com.br: www.empetur.com.br, eternamente em construção.

Sabem quanto custa registrar um domínio .com.br? 30 Reais, por ano. Sabe quanto custa registrar um domínio .com? 70 reais, dois anos. Sem burocracia.