sábado, agosto 26, 2006

Recitata 2

Faltou um poema-minuto feito após uma observação maliciosa: Uma gatinha veio se aproximando e comento com Juareiz (dois cinquentões). Veja que Ninfeta. Ai Juareiz me censura: Qué isso, Don. Tem idade para ser nossa filha. Saiu o poema rápido:

Quando
os dois poetas
viram aquela ninfeta
sonho andante
se aproximando
Um diz para o outro:
Veja que gatinha!
E o outro responde:
Tem idade
para ser nossa filha!
E rindos,
concluem:
Mas não é!
Mas não é!

Recitata 2006: a poesia de mercado

Como sempre, chego pontualmente à lá britanica, antes da hora. Reencontro uma antiga colega da Fundação de Cultura, Xislaine.

Outro que nunca mais vi, Juareiz Korreya (fazemos as contas: 33 anos, ele não acredita, mas eu provo). Revejo o amigo de infancia Hélcio Clemente, que não tem nada de clemente...

Digo a Allan Salles que vai ganhar. E ganha!

Tou fora, como estava previsto, tendo em vista o resultado do concurso da semana passada, comentendo as injustiças de sempre em quaisquer festival que se preze, só que desta vez, hoje, o privilégio foi exclusivo da poesia popular. Ficou de fora a poesia contemporânea, as experimentações etc.

Alguns candidatos fizeram verdadeiras interpretações teatrais, que não deu certo, o contrário dos performáticos da poesia popular, fórmula de sucesso.

Um amigo em comum me diz por que muita gente não gosta de Jessier Quirino, considerado um usurpador de poesias populares de terceira. Na verdade, usando o marketing, ele faz uma repescagem das melhores poesias populares, coloca uns detales e... sucesso. Como se eu, por exemplo, criasse um personagem chamado de SiTonho, e interpretasse poesias populares, ditosas, xistosas e histriônicas, puxando pelo sotaque e pimba! Um espetáculo!

Como tentei fazer, recitando os meus poemas Remi-Essencias e Rua Nova, que faz parte de um grupo de poesias sobre o Recife. Os originais foram logos reclamados por Juareiz, que repassei imediatamente.

Allan Salles vem me parabenizar e me compara a Ascenso Ferreira. Ele é muito generoso.

Mas brincando com Juarreiz Korreya, Marylucy Maciel e outro amigo que não via há muito tempo, Glauco Guimarães, ouso escrever poemas-minutos, ou poemas-piadas no dizer de Juareiz:

Comentando com Juarez que nos conhecemos há década, escrevo:
Ao contar
há quanto tempo
conheço certos amigos
Em vez de anos
eu conto em décadas


E ainda sai um chiste, inventado por Glauco: a companha juarássica de Juarez Korreya!

Ou então, comentando uma afirmação ouvida "an passant" de Maryluct, reivento, sendo até um pouco indelicada com ela:

A amiga poeta
encerrou uma discussão
dizendo:
"mato a cobra
e mostro o pau".
Mas sendo eu
um poeta safado
arremato logo:
A poeta
sendo mulher
"mata a cobra
e mostra o que?
mostra o...

Gargalhadas gerais!

O poeta Glauco Guimarães me passa dois poemetos, geniais, que fico incentivando para ele recitar, até fazendo uma direção teatral:

No bolso:
nada!
Nem grana
e nem
granada!

ou

Oratura

Na África:
Oxalá!
No Japão:
Buda!
No Iran:
Allah!
No Brasil:
Deus nos acuda!

No livreto que Juarez faz questão de me dar presente, pois eu quero comprar, como comprei o livreto de Fernando Chile, retiro uns poemetos, desobecendo a advertência de copyright:

Poema Imbecil

então os soldados
fardados/armados
e os (secretos) agentes
da polícia federal
no pastoril infantil
prenderam
as luminosas meninas
do cordão encarnado

Lembra muito a minha maneira de escreve, como (poesia minha):

O pisca-pisca
do anúncio luminoso
Fisga-fisga
incautos consumidores

Mais Juareiz:

danado
é que eu me tranquei
aqui dentro
e o mundo me espera
lá fora

Mais:

a minha dor
continua em cartaz
todos os dias
com apresentações ininterruptas
inclusive
nos domingos e feriados

Citando Fernando Chile:

o bom senso
aconselha
ter no mínimo
dois sonhos
no gatilho
logo pela manhã

e:

aluga-se
um coração
sem suites

No mínimo, um saldo positivo: reencontar velhos amigos e colegas de luta. O exercício da poesia oral que é muito difícil e a constatação, fácil, da velha incompetência do estado para fazer eventos culturais. Tou falando falácias?

O local, Mercado da Boa Vista, poderia ser um grande point cultural, pelo seu visual intimista, aconchegante, mas isso tudo não se coaduna com modernidas, como automóveis no recinto. Incrível como a produção do evento não impediu o acesso dos automóveis no páteo do Mercado, atrapalhando a circulação das pessoas.

O formato do Recital, alguns equívocos, por conta talvez da pioneiridade: as performances atrapalham ou valorizam um texto bom/ruim. A presença da poesia popular em cidadãos citadinos, muito bem observado por Juareiz.

A proposta:
Separar poesia popular, da contemporânea (será?) e das performances e dar um prêmio exclusivo para interpretações, como a injustiça da semana passada com a fantástica performance do Cláudio Vasconcelos, tão leve e sutil, e dos refrões de Felipe Mendes (prá lá e prá cá).

A idéia de fazer uma programação mensal, num local mais povoado como o Largo do Carmo, onde passam tantas pessoas, que seriam atraidas pelo evento.

E uma premiação tipo: Os dez melhores, com prêmios iguais.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Brás Cuba


O pessoal tá com a cabeça tapada! Quando Fidel se for, o novo presidente de plantão pode abrir um departamento de importação, para vender tudo que é velho em Cuba!

Pensa que estou brincando? É uma grande fortuna empancada lá. A começar pelos velhos carros que ainda funcionam! Muita gente vai querer comprar aquelas latas velha, que na verdade na mão de quem pode, fica novo e, melhor, original!

Fico imaginando, para a delícia dos antiquários, o que tem de quinquilharias antigas guardadas na ilha. O sonho de consumo daquelas pessoas que gostam de coisas antigas, como eu.

Puxa! Comprar um Ford 41 funcionando! Uma chevrolet rabo de peixe. Uma Belair!

E Cuba pode exportar os transportes similares a riquixás, para dois lugares, movido a motor 2 tempos e fazendo 70 km por litro. Um sucesso.

Sou a favor (e tenho carro) de fechar o centro das cidades para automóveis, e liberar riquixás movido a motor de mobilete.

O modelo acima é movido a feijão, mas sou mais moderno, vamos de motor a gasolina. Mas o modelo de baixo é demais, podia ser adotado em Recife:

Todos os modelos são usados em Havana, Cuba, que, embora todo mundo mete o pau, que não tem liberdade, não tem democracia (e não tem mesmo), em contrapardita não tem analfabetos, desemprego e falta de moradia, em educação e saúde é nota 10 e todo mundo come. Quem teve lá, fala, por exemplo, que a carne padrão é de porco, o pessoal é doido por dolar etc e tal. Mas não tem dengue nem cólera.

A economia da Cultura

30 anos atrás, convidado a fazer comentários sobre Cultura, no Show de Notícias no Canal 2, por Jorge José, Diretor de Programação (seg, qua e sexta), recebi uma admoestação dele, quando comentei que não tinha tanta assunto (era 3 minutos , a duração, as vezes ao vivo, as vezes, gravado): "tem sim, voce vai ver".

Dias atrás, um comentário recente, desta vez de Otávio Meira Lins, o simpático e culto dono de hotéis (Marolinda's) e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis - Pernambuco: "6 a 12 eventos acontecem diariamente em REcife"!

Onde está a imprensa que não consegue cobrir este manancial? Pois é, acabei de sair de 3 dias de Oficinas do Sistema Nacional de Cultura (a semana passada) e vou entrar, a partir de amanhã, em outros 3 dias em outro Seminário, discutindo e conhecendo os mecanismos dos patrocínios culturais.

E ainda tem um Seminário de Crítica Teatral no Teatro Armazem, e outros eventos menores. Ufa!

Os novos jornalistas que tomaram e tomam conta das redações, agora são semi-deuses. São tão adeptos do computador que não gostam de contatos pessoais, mesmo que você esteja lá embaixo na recepção, eles mandam a ordem: "manda um email".

Outro dia, no ano passado, por ocasião do portal Memorial Pernambuco, que aconteceu na Livraria Cultura, mandei vários releases para os 3 jornais locais. Um não publicou nada. Numa oportunidade, eu estava com uma amiga jornalista, assessora de imprensa de um órgão do estado. Comentei com ela que mandei um release para uma jornalista de um jornal, e ele perguntou que era a figura. Quando disse o nome, ela lembrou que a tal jornalista fôra aluna dela. E, ato contínuo, ligou para a pessoa, que disse que realmente recebera um material de um tal de Don Antonio, e, como achou que era doido, botou no lixo. Ai, a minha amiga disse que o tal Don não era doido, não, que fizesse o favor de ajudar o amigo. A jornalista disse que ia publicar uma materiazinha. E a materiarinha realmente saiu: 5 linhas!

Nesses 30 anos muita coisa mudou, a produção cultural cresceu, coisa que nem o estado e nem a imprensa perceberam, sem tomar conhecimento do volume de negócios que giram em torno da cultural, a economia da cultura, que alguns economistas começam a tomar conhecimento.

Digo melhor: Acho que deveria ser um trinômio: Cultura, Lazer e Turismo (onde esportes estaria em lazer). É muito dinheiro envolvido.

Não é atoa que produtores inescrupulosos, como denuncia Cristiano Lins, aproveitaram-se de brechas no sistema de cultura, para corromper e serem corrompidos, falsificando bônus do antigo Sistema de Incentivo de Cultura do estado. E ainda tinha o "over price" que diretores de marketing de algumas grandes empresas, cobravam. Leia-se, bola mesmo! Me lembro de um produtor me dizer, em off, que chegava a 100% do valor do valor do patrocinio. Ou seja, um som que deveria custar 10 mil reais, saia por 20. Só não via quem era cego, porque qualquer pessoa do ramo, olhando um orçamento daquele, sabe que tem merda ali.

Mas, segundo Cristiano Lins, nem diretor de estatal envolvido, com outros políticos famosos por trás. Por exemplo, mais uma vez o Cristiano (que me mandou cópias das denúncias), a Fundarpe não teve algumas contas aprovadas, por várias irregularidades.

Eu disse a Claudionor Germano, antes de ontem, que a gente vai atrás do patrocíonio com tanto trabalho, tanta luta, para uns filhos da mãe fazerem esquemas por trás das nossas costas, e, ainda tiram pinta de honestos!

sábado, agosto 12, 2006

Sistema Nacional de Cultura - Como assim?!

Vinte municípios participaram das Oficinas do Sistema Nacional de Cultura, promovido pelo MinC, com cerca de 120 gestores públicos e privados, meio a meio, iniciativa louvável do governo.

Muito bate-boca, mas enfim consenso:

As principais reivindicações sugeridas e analisadas pelo pessoal em dois dias, nas instalações da Universo, na Imbiribeira:

Realização de um Forum de Secretários Municipais de Cultura e de Gestores públicos, de preferência numa cidade eixo, exceto a área metropolitana do Recife, tendo em vista a dificuldade de lomocação do pessoal do interior.

Estimular a criação dos Conselhos Municipais de Cultura.

Realizar um Diagnóstico dos Equipamentos Culturais disponíveis nos municipios. Existe um inventário do equipamento turístico e cultural realizado anualmente pelas Prefeituras, exigência da Embratur.

A criação de um Cadastro Cultural. Acho que resultante desse diagnóstico. Agora, não adianta a existência do cadastro, se ele não está disponível para o público. Por exemplo: o cadastro da Prefeitura do Recife está na internet, mas os seus dados não estão disponíveis.

Promover oficinas de cultura regionais.

Reforma do Conselho Estadual de Cultura. Embora não seja uma atribuição do MinC, a sociadade civil organizada pode pressionar o estado para tirar o CEF da caduquice.

A realização de um Curso de Elaboração de Projetos. Útil, urgente e indispensável. Defendo até a criação de um programa de computador para facilitar a confecção de um projeto, como existe o programa que faz o Plano de Negócios (Sebrae). Muitos artistas, especialmente artistas populares, alguns semi ou analbetos, são enganados por atravessadores na realização de projetos culturais.

Estimular a criação de Secretarias Municipais de Cultura, pois a Cultura ora é um Departamento de um Secretaria de Educação, ou de qualquer outra Secretaria, e, as vezes, faz parte de uma Secretaria. O estado de Pernambuco dá péssimo exemplo, com a sua Secretaria de Educação e Cultura, que não é nem de Educação e muito menos de Cultura (como a gente sabe, Jarbas foi bom em desenvolvimento e péssimo em Educação, Segurança e Saúde e Cultura foi abandonada, encerrando com vários processos judiciais contra os gestores da Fundarpe).

Condicionar a assinatura do protocolo ao SNC, e a criação de Conselhos Municipais de Cultura, à liberação de recursos na área cultural. Existe algo equivalente na área de Meio Ambiente. Caso a Prefeitura não executa certas ações em Meio Ambiente, não recebe o FPM integral.

Criação de Sistema de Incentivo à Cultura nos municípios. Municipios como Olinda, não tem renda suficiente para moticar a criação de um SIC, mas Jaboatão, que tem mais dinheiro, nem pensa nisso.

Incentivar a criação de Biblioteocas. Vou mais além: e os TeleCentros Digitais?

Estímulo à criação de Museus.

Valorização de sítios históricos e arqueológicos. Um dia desses, por ocasião da posse do novo secretário de turismo do estado, a TvGlobo fez uma entrevista ao vivo com o novo secretário, e Francisco José exibiu duas reportagens (visuais) comparativas: o Vale do Catimbau e o Grand Canyon; quando o repórter fez o comentário dizendo que lá dezenas de milhares de pessoas visitam o vale americando, o daqui ninguém conhece. O secretário engasgou-se... e não disse coisa com coisa!

Incentivar as Prefeituras a definir um percentual de artistas locais nos eventos culturais, como grandes shows.

Estabelecer uma rede de contatos. O nosso instituto teve a iniciativa, criando um grupo de discussao.

Criar e adaptação de espaços culturais. Pernambuco não tem tradição nisso. Veja o caso da Fábrica Tacaruna, enrolada em processos judiciais. Enquanto isso, vários prédios estão abandonados no centro da cidade. No Recife antigo, metade dos prédios estão abandonados!

O que eu acho interesante é que tudo isso, praticamente é do conhecimento das autoridades municipais e estaduais, mas nada é feito. Na opinião dos facilitadores das Oficinas, tudo pode mudar com a organização da sociedade civil, tarefa grandiosa e desgastante.

Não estou sendo pessimistas, mas sei por experiência própria, que o entusiasmo diminue na razão inversa do tempo. Quanto mais distante da oficina realizada, mas o interesse vai caindo.

No nosso caso, vamos fazer o nosso papel de formiguinha, enquanto cidadão e entidade, pois conversei hoje com a nossa diretoria e soltei a idéia de promover um encontro de todas as entidades culturais para amarrar alguns dos pontos acima.

A principal idéia é um projeto de ocupação oficial de um dos prédios abandonados no centro da cidade, a partir de uma parceria, instalando todas as entidades artísticas, possibilitando, com a convivência, uma interação de idéias e projetos.

E, pelo menos, enquanto não sai isso, nos juntarmos para algumas das reivindicações, como a alteração do Conselho Estadual de Cultura, a realização de um curso de elaboração de projetos (para projetos federais, MinC, estadual, municipais), e, quem sabe, a realização de um Forum.

O último grande de entidades culturais,foi realizado há quase 20 anos atrás, na primeira administração de Jarbas, Prefeito. Nunca mais houve um congresso desse nível. E, caso aconteça, haja tempo, pois o pessoal vai falar!

sexta-feira, agosto 11, 2006

Eita Danado!

Acabou a Oficina do Sistema Nacional de Cultura. Como falei para Célio Cruz, um dos dois facilitadores (nome que os técnicos inventaram para palestrantes), achei que aquelas perguntas poderiam ser respondidas por Tarciana Portella, a Representante do Minc, pessoa muito bem informado sobre o nosso estado. Na verdade, disse ele, o que estava interessando era a interação entre os grupos. Ah!!!

Nos grupos criados para discussão, e eram 4, a constatação óbvia de como as pessoas estão despreparadas para o debate e apresentação de propostas e ávidas para desabafarem. O momento que era para informes rápidos, se transforma em discursos longos e cansativos sobre "o meu problema ...".

E o interessante é que começam assim: "Não vou ser repetitivo e serei breve", e repete as mesmas coisas de outros e até dela mesma, sem ser, claro, breve. Ou então, "só quero reforçar" ou "tenho um complemento", e se repentem, contam histórias e histórias. Tudo bem. Raramente o pessoal se encontra, e, aquela é uma oportunidade para trocarem idéias, mas os facilitadores, que estão ali para facilitar, dificultam. Então, o que tinha que ser discutido em 30 minutos, acaba o tempo, e não conseguem que todos se expressem e sintetizam nas coxas.

Por exemplos, o assunto não tem nada a ver com os temas das Oficinas, mas acontecem revelações estarrecedoras como essa, e a gente tem que deixar rolar: Por motivo do Concurso do Patrimônio Vivo, em Pernambuco, as Prefeituras tem que indicar uma pessoa física e outra jurídica para concorrer aos prêmios, 700 e 1.500 respectivamente.

Luciana, representante de Bezerros, conta o caso de J. Borges, octogenário artesão da xilogravura e poesia popular (cordelista) famoso nacionalmente. A Prefeitura quer colocar o nome dele, e ele não concorda dizendo que não acredita nisso. A contragosto participa, e é contemplado. Tudo bem. A merda acontece, quando artesãos, colegas dele, botam a roupa de domingo, locam um ônibus e vem todos a Recife, prestigiar J. Borges, na cerimônica de entrega dos prêmios.

Um representante do Conselho Estadual de Cultura, Marcus Acioly, presidindo a premiação. Quando chega a vez de J. Borges, ele se refere ao artesão "J. Borges, de Gravatá". Silêncio atroz entre os colegas artesãos. Que mancada! Luciana, corre, vai até a alguem do cerimonial, escreve
um bilhete corrigindo a gafe, que é passada a Accioly. Ele lê, fica calado, e continua a preleção. O pessoal fica revoltado, quer ir se embora pois estão solidários na humilhação de J. Borges. O pessoal tenta contornar e sabem a resposta de Acioly "disse, e eu não voltar atrás na minha fala". E continua, elogiando outras associações, cidades, especialmente Caruaru e esquece de Bezerros.

J. Borges, antes de receber a premiação, disse que não iria cumprir o que diz o regulamento, que pede uma contrapartida do contemplado, através de oficinas. Para ele, o seu atelier sempre esteve aberto para todos como oficina, nesses ultimos 50 anos. E ponto final.

Isso foi falado para a platéia de cerca de 100 pessoas da Oficina, como o fato, também lembrado, que está existindo uma pressão para que Tarciana Portela, integrante do Conselho Estadual de Cultura, renuncie ao seu cargo, como uma forma de obstar qualquer tentativa de reforma democrática no Conselho, como é sugerido na última Conferência Estadual de Cultura, do SNC, acontecido em Pernambuco.

Por último, uma ótima colocação de outro colega de uma cidade de interior, que queria um cocar de Caboclinho; ligou para vários caboclinhos de Recife e não conseguiu a informação da pessoa ou pessoas que confecciona os tais cocares, até, que ocasionalmente, esbarra com essa pessoa que diz que tais e tais caboclinhos são seus clientes, justamente os que ela ligara. Sindrome do Caranguejo!

Esses exemplos mostra o fazer cultura em nosso estado!

Tarcina encerrou a Oficina com um discurso pertinente, lembrando que o Brasil nunca conheceu um período tão longo de plena democracia e liberdade, desde o fim da ditadura militar de 64.

Luzes da Ribalta

Cristiano Lins continua me criticano. Transcrevo, sem receio, o comentário dele (que está nos comentários deste post):

"Don Antonio eu respeito seus posicionamentos e sua franquesa mas dizer que sou odiados por todos é no minimo uma inrresponsabilidade.pois recebo muitos email de agradecimento por tudo que fiz e ainda faço com muita gente de teatro,dança e musica alem dos presentes que recebo com muito orgulho,infelismente não foi possivel e continua não sendo possivel colocar todos nos meus espetáculos ai estes que não trabalharam comigo pode ser que guardem magua e falem mau de mim mas nem jesus agradou a todos, como voce mesmo disse pode ser mas falam por tras, na minha cara não fala pois sou uma pessoa de pavio curto como alguns já sabem mas sou honesto e verdadeiro. "

Ratifico o que disse, Cristiano, pois a maioria dessas pessoas falam mal de você, e, claro, pelas costas. Eu estou aqui de frente comentando, assinando, me expondo.

Ele me mandou, a pedido meu, material das suas denuncias contra Bruno Lisboa, Angelo Filizola e outros, acusados de corrução na Fundarpe e superfaturamento. No material, pedido unânime da oposição na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, pedido de CPI, negado pela maioria dos deputados. Acusa também servidores da Secretaria da Fazenda.

Continuo amanhan, pois tenho que ir agora para o simpósio sobre o Sistema Nacional de Cultura.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Quem tem medo de Delaney?

Há meses que tenho contato com Cristiano Lins, a não ser por email, mas hoje eu ligou pra mim arretado comigo, por conta das observações (veja abaixo); Não vou me dar o trabalho de reler, mas mantenho o que digo: Se Cristiano acha que todo mundo gosta dele, está sendo ingênuo, pois por trás todo mundo mete o pau nele.

Ele ficou chateado por conta de um comentário que fiz, mas mantenho o que digo, embora ele fique insistindo que a gente tem que assumir e mostrar a cara. O que é que eu estou fazendo , escrevendo aqui?

É difícil para mim dizer que Cristiano não é mais meu amigo, e sim colega de trabalho, e está chateado com a minha franqueza, por conta de algumas coisas que aconteceram entre nós e ficou mal esclarecida.

Ele gosta de dizer que não tem rabo preso. Muito menos eu. Estou à vontade.

Cristiano estava tentando fazer um comentário nesse blog, mas realmente é dificil fazer. Ele fez, por que eu, só que para ler tem que clicar. Deveria constar do texto.

Mesmo assim, como prometi a ele, vou transcrever o comentário que ele fez:

é lamentavel que pessoas que não entendam do fazer produção cultural aqui no nordeste faça comentarios negativos sobre a minha pessoa,lamento mas gostaria de informar que muita gente que hoje brilha no cenario nacional só conseguiram chegar onde chegaram graças as minhas produções agora estes novos aventureiros vir aqui para denegrir a imagem de quem tanto contribuiu com a sena pernambucana deve ser um mal carater ou um safado que não tem coragem de falar na minha cara pois não levo desafora pra casa por não ter rabo preso com filho da puta nenhum,e tem mais o sucesso incomoda muita gente não preciso puxar o saco de ninguem pois sou capas de sobreviver sem ser capacho. cristiano lins com muito orgulho e sem fingimento quem não me conhece e tem vontade no meu site tem todos os meus fones pra quem quiser falar assim como eu com sinceridade sem babação. www.cristianolins.com.br


Ele fala a verdade. Muita gente que tá porai brilhando deve a ele o empurrão, mas ele não pode evitar os comentários negativos pois são inerentes à democracia. Com certeza ninguém chamou ele de aventureiro, nem está denegrindo a imagem dele.

Ele já foi um dos maiores produtores de teatro de Pernambuco e pagou caro por isso, por causa da tal síndrome de caranguejo, o que incomodou muita gente. Eu não estou nesse rol. A minha relação com Cristiano sempre foi profissional e sempre apoiei no que pude.

Ok, Cristiano. Caso não concorde comigo, não fique agastado. Mande um email para don.antonio@memorialpernambuco.com.br que terei muita satisfação em publicar no post, mesmo que voce esculhambe comigo.

Agora, uma coisa eu tenho em comum com Cristiano, e, sei, que nisso somos colegas: muita gente não gosta de mim porque eu falo a verdade, critico com dureza. Nesse blog, por exemplo, tou falando coisas que ninguém vai encontrar no jornal.

Por exemplo: essa falácia do tal documento que as entidades entregaram ao Prefeito em 2005. O pessoal tem tanta agilidade, união e solidariedade que até hoje não conseguiram cobrar, coletivamente, nem que seja através de uma carta, as respostas do Prefeito.

A Edivania, da Metron Produções, me mande email contando porque fracassou as tais reuniões no escritório dela, para montar o tal Forum Permanente. Quando o pessoal descobriu que tinha que mostrar a cara, houve uma debandada geral. Ai concordo com Cristiano, a pessoa que mais se expôs em Recife: é preciso ter peito!

Eu passei dias fazendo os comentários sobre cada item do documento, e, depois, fiz uma minuta de reivindicações, que NUNCA foi discutito pelo grupo, para descobrir que eu perdi o meu tempo, pois existia uma resposta. E mais grave: algumas das pessoas presente sabia que havia uma resposta.

Quer dizer: o que é que um Prefeito, Secretário de Educação, Secretário de Cultura, Presidente de Fundação vai pensar?

Assim, meu prezado Cristiano, apresento minhas saudações culturais, pois algo de grave acontece no Reino da Dinamarca. God Save The King!

O teatro ainda está no século 20

O grupo de discussão de teatro, na internet, tá um fogo, tudo por causa da celeuma criada por conta um documento que as entidades de artes cênicas (profissionais, patronais e fomento, respectivamente, Sated/PE-profissionais, Apacepe-produtores e Feteape-teatro) mando ao Prefeito em 2005, e somente agora, estão re-começando a re-reclamar.

O pessoal de cultura é assim, desarticulado, desunido, o que me parece que é exclusividade de Pernambuco.

Por exemplo, MÚSICA.

O Sindicato dos Músicos Profissionais (como se fosse possível ter um Sindicato dos Músicos Amadores, Diletantes e Bixcetos) tem poucos filiados e é praticamente inoperante, com os músicos se perguntando pra que serve; a Ordem dos Músicos tem o registro profissional, e até, recentemente quase que fechava, por conta de um liminar absurda que questionava o registro profissional. Muita gente, músico, se pergunta também pra que serve.

Eu já estive músico, pois comecei como guitarrista de uma banda de baile, Os Alfas, de 1967 a 1969, atuando irregularmente. Tentei uma vez fazer o exame para a Ordem, mas o maestro, que tinha raiva dos músicos de baile, me deu uma partitura de metais para eu solfejar e eu mandei ele praquele lugar e continuei clandestino.

Anos atrás, pedi uma carteira provisória, mas nunca usei, aliás com a única assinatura do então presidente, maestro Guedes Peixoto, que sempre se recusava a assinar carteiras provisórias pois ele dizia que não existe músicos provisórios. Como eu conhecia e ele me respeita, me atrevi a pegar sua assinatura...

Sou daqueles que concorda com o registro profissional, mas não com as exigências que fazem. Até hoje o pessoal vai lá na Paraíba, que quase não tem exigências e tira a carteira que tem validade nacional. Ou seja, faltam ponderações, negociações.

A música da cena pernambucana acontece porque é de ladeira abaixo, ou seja, sái de baixo que atrás vem gente.

A prolixidade de bandas de brega (até um dia desses era de forró pé-de-galinha, como gosta de dizer Guedes Peixoto - os tecladistas só sabem fazer acordes...) é um fato. E por que não obrigá-los a fazer reciclagem? Nnguém resiste a umas aulas de MPB e Jazz, música erudita, basta ouvir, gente. A pessoa nunca mais será a mesma.

E no teatro?

A Feteape e o Sated e a Apacepe não se bicam. A Feteape reune pretensos grupos de teatro que na verdade na sua maioria são produtores de teatro; a Apacepe tem o domínio total de Paulo de Castro que fica dizendo que se o pessoal se unir, a entidade cresce. O Sated é a única que funciona realmente, pois é uma representação da profissão.

Mas, nos bastidores o pau canta, cada um que queira tirar o seu da reta (não o pau...), naquele gênero que Al-Mofadah gostava de gritar pelos corredores do palácio:"Quero ser imperador no lugar do imperador".

As discussões já estão caducando, pela temporaridade, precisando de up-grade urgente. A garotada que tá chegando num quer saber de história, e repetem os mesmos erros.

O pessoal de teatro que está com cargos nos órgãos públicos esquece a base e a as antigas reivindicações.

Por exemplo:
Por que não abrir os teatro públicos para espetáculos com novos horários, diurnos, vespertinos, de madrugada?

O estado não precisa soltar dinheiro, mas ser mais aberto, antenado com o século 21, pois não entendo uma casa de espetáculos tão cara, ficar ociosa mais cerca de 20 horas!

Se fosse uma empresa multinacional já teriam demitido o administrador, pois como o dinheiro vai girar?

José Mário Austregésilo, na década de 80, foi quem implantou a temporada em espetáculos teatrais, pois ninguém acreditava.

A Trupe do Barulho mostrou que tem público para a madrugada, embora, famosa, tenha descartado esse formato.

Mas o Vivencial Diversiones, na década de 70, tinha espetáculos que iam das 9 da noite às 3 da madrugada, com público, e nunca, nunca foi imitado.

Os produtores, então, são limitados na sua ousadia, precisando de ajuda do estado, abrindo as exigências.

Outra coisa absurda, ainda, é técnico de teatro fora do horário dos espetáculos.ç

Outro absurdo: o espetáculo que é vitorioso, tem que sair de cartaz, dando público ou não. E por que não tem uma regra que acabe com isso, e dê uma força a quem se desgastou tanto produzindo, dando uma outra solução para quem espera a pauta.

No site www.memorialpernambuco.com.br, clique em Teatros de Pernambuco (numa janela pop) e está lá uma listagem de teatros ociosos em REcife.

terça-feira, agosto 08, 2006

Cautelas e canais de diálogo

O grupo de discussão de teatro tá esquentando. Um grupo de Jaboatão está protestando porque existem ameaças do fechamento do único teatro que existe na orla, em Piedade, que está dentro do Shopping Guararapes, que é o Teatro Artplex.

Acontece que, segundo me informam, o teatro pertence a Antonio Bernardi, um dos mais atuantes produtores de Pernambuco, mas parece que não anda bem de pernas...

O curioso é que é o único teatro num dos grandes 3 shoppings do Recife (Recife, Tacaruna e Guararapes).

Me lembro, que um antigo Diretor de Marketing do Shopping Center Recife, lá pelos idos da década de 80, um Antonio de tal, respondendo à minha pergunta sobre a falta de atividades artísticas no shopping, "aqui é lugar de ganhar dinheiro, não de fazer cultura".

Hoje existem cinemas e lazer nos shoppings e está fazendo falta um ou mais teatros. Inclusive defendo a tese de ter espetáculos diurnos, aliás mais de um. Como produtor estranho ter uma casa tão cara como é um teatro com tantos horários ociosos. Só dá entender quem vive ainda no século 20 para trás!

Voltando ao grupo de discussão, o mote é a criação de um Movimento dos Sem Teatro, pregando a invasão de espaço ocioso. Como o Artplex não está ainda ocioso, tem que esperar pra ver.

Pessoalmente, como ainda (dos baixos 59 anos de idade) sou um revolucionário, sou favorável à praxis da invasão. Não quero que o circo pegue fogo e sim que se coloque muita luz no teatro e que ele pertença de uma vez por todas a nós, que somos de teatro.

Da mesma maneira, seguindo essa linha de raciocínio, defendo a invasão, por que não, dos Teatros de Santa Isabel, Teatro do Parque, Teatro Apolo, Teatro Barreto Junior, e, ainda mais, o Teatro Valdemar de Oliveira e até o ociosíssimo Teatro do Derby (vizinho ao quartel da PM).

Quanto à invasão do Teatro do Derby (que é maior do que o Teatro Valdemar de Oliveira) vai ser mais complicado, por que os homens em volta estão fortemente armados. E a gente vai se defender com que ? Com panelões, spot lights, varões, paetês!?

O ex-amigo produtor de espetáculos, o Cristiano Lins, unanimente odiado por todos (até por quem gosta dele) mandou um email metendo o pau em quem está no governo e defendendo a invasão, mas teve o descuidado de não assinar o dito cujo, o que gerou uma série de explicações, elocubrações, conjecturas, até várias pessoas se lembrarem que aquele email, CLAMORES, é de Cristiano. Aliás, ele já tinha informado isso, atravé de um preposto, o tal de Paulo Guedes (que é?)

Fica o embate

segunda-feira, agosto 07, 2006

Aumenta a rede de contatos

Saí meio dia e acabo de chegar (20:30).
Aproveitei para passar na Digicop e pegar o orçamento das cartilhas:
Cada jogo 100 exemplares de 20 páginas com a capa, 200 reais (0,09 por 1 lado de pp);

Encontrei com Claudionor Germano na ante-sala de Joezil Barros, superintendente do Diário de Pernambuco, que, S.I.C., gosta de fazer esperar as pessoas.

Antes de sairmos, chegou um velho conhecido, o verador Luiz Vidal, candidato a governador de Pernambuco. Não é que me reconheceu sem cabelo!

Não deu outra. Claudionor se encontrou com ele na sexta feira e o Joezil marcou para hoje, segunda, 15 horas. Deu 16;20 e fomos simbora. Na verdade ficamos esperando mais pela conversa que estava sendo colocada em dia, do que por atenção a quem não merece. Claudionor deixou o cartão.

Na conversa, fiquei falando dos nossos velhos sonhos, conjuntos, de montarmos uma casa de shows para turistas. Claudionor se convenceu e pediu para procurar um local. Na verdade, fomos para o Recife Antigo, até encontramos seu velho amigo o maestro Ademir Araújo (Formiga).

No meio do caminho para a palestra de Bezerra, passei no edf. Bosque de Versalhes e perguntei sobre o salão para alugar para eventos. Ainda está disponível.

Chego no Quartel dos Bombeiros, e eles, como sempre muitos educados, me levam para um sala de um dos comandantes. Chega Bezerra e vamos para o cassino dos oficiais, que é na verdade uma lanchonete chique para os oficiais e é onde vai acontecer a palestra.

Conheço o Major Helder, que tem a banda marcial sob a sua responsabilidade. Já falo do evento do Boa Viagem Festival. Ele achou ótima a idéia de retretas e desfile cívico.

Conheço outro Major, Valdir, que tem um sonho de montar o museu dos bombeiros e me fala de um prédio que fica na rua da Aurora, onde hoje funciona o armazem Zigmund Katz, que foi a primeira sede dos Bombeiros em Recife. Bezerrar confirma.

E, finalmente, tenho a agradável surpresa de encontrar um velho conhecido, o Dr. Nilzardo Carneiro Leão, presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Arqueológico Pernambucano (que eu tinha falado por telefone no sábado). Quando fala que sou o Toinho da Católica (secretário da Faculdade de Direito da Unicap), quando ele fora professor de Direito Processual Penal, ele me reconhece. E fica feliz quando eu falo que vamos trabalhar juntos pelo resgate histórico de Pernambuco.

Ele fala do projeto da Prefeitura de derrubada das árvores da rua da Moeda. E dá uma aula de história. Depois fala de outro problema: A Prefeitura que tirar um pedaço do Sítio da Trindade, para falar uma Laboratório Multicultural, que, segundo ele, não pode ser, pois a área é imexível, por ser patrimônio tombado. Nilzardo fica mais feliz quando diz "finalmente mais gente para lutarmos juntos".

Por último, chega o dr. Dorany Sampaio, um grandão do Governo do Estado. Ambos, Nilzardo e eu defendemos a inclusão da cadeira de História de Pernambuco no currículo escolar, reivindicação que Dorany concorda. Ato contínuo, Nilzardo olha pra mim e diz "então vamos marcar para falarmos com Mozart (secretário de educação). Dorany diz que sim.

Quando eu vou saindo, Nilzardo faz questão de ressaltar que temos que nos encontrar.

Foi um bom dia!

INDIGNAÇÃO:Meu papel de formiguinha

Eu sou daquele tipo de pessoas que não gosta da turma do deixa disso, onde cautela e canja de galinha não faz mau a ninguém (desde que não contenha arsênico).

Quando me indigno com uma coisa, levo até às últimas consequências, como aconteceu certa vez quando, no calor da questão, convoquei uma pessoa de uma certa instituição, a nos unirmos contra ato autoritária de uma entidade pública.

Saí da comodidade do lar, no fim de semana, para me encontrar com essa pessoa, e, naquele momento, esta pessoa sugeriu fazermos uma ação assim e assado, dando nome do evento, data hora e local, inclusive fazendo questão de observar da urgência do ato.

Fui pra casa determinado a realizar os preparativos. Redigi um texto, consultei a minha lista de emails e mandei brasa, mandando para mais de uma centena de internautas, especialmente imprensa e até políticos.

No início da semana, uma segunda feira, retomo os envios, e, ato contínuo ligo para aquela pessoa, colocando-a a par dos acontecimentos.

Para minha surpresa, recebo uma crítica relativa ao nome do evento, pedindo que eu consertasse. Faço a troca e reenvio os emails. E insisto que os contatos da responsabilidade devem ser feitos.

Ainda de manhã, recebo um telefonema da mesma pessoa, perguntando se realmente eu tinha marcado a data, hora e local do evento, ponderando que achava precipitado a ação, tendo em vista que ele precisava contatar algumas pessoas.

Retifico, dizendo que quem tinha marcado data, hora e local fôra ele e não ele, e que ele tinha insistido na rapidez do ato. Insiste que fôra eu e não ele. E que ele, na verdade, tinha sugerido uma reunião para discutirmos uma data, hora e local para o evento.

?????

Pois é. Para eu aprender. Não gosto de gente covarde, vacilante, medrosa. Pois eu não tenho a convicação dos meus atos. Eu fiz tudo que tínhamos combinado, e, alguma coisa aconteceu, que ele achou que a coisa estava sendo precipitada. Talvez, avaliando que o ato iria mexer com seus interesses pessoais, da sua entidade etc e tal.

Foi bom, porque eu já coloquei um pé atrás em qualquer coisa que eu faça relativa a essa pessoa, que sei que é muito bem articulada e, agora, pra mim, perigosa. Maquiavélica, diria.

Como a gente erra na avaliação das pessoas. Eu sei que esta pessoa é combativa, tem um grande círculo de amizades, faz parte de família tradicional, mas fiquei de orelha em pé a partir deste fato.

Nos três telefonemas, sentia na entrelinha, a minha tensão querendo explodir, mas me controlei a minha indignação e revolta com a posição melíflua, covarde e falsa. Sim, agora, pra mim esta pessoa além de covarde é falsa.

Ou seja, atacada pela síndrome do caranguejo pernambucano.

domingo, agosto 06, 2006

O terror das Mulheres. Terror? Alegria!

GOMES I - Não é novidade nenhuma que não fui criado pelo Dr. José Gomes, ex-motorista da Coca-Cola que virou Juiz, lutou na Itália (como voluntário na FEB). Mas tenho um profundo respeito e admiração pelo Zé. Uma coisa que gosto nele é a sua simplicidade e a ausência da arrogância comum em muita gente importante. Embora ele seja vaidoso, não tem frescura quando a gente pergunta como deva chamá-lo. Zé Gomes, Dr. José Gomes etc.

Esta imagem ao lado é bem ilustrativa da vaidade do Dr. Zé: uma aquarela que descobri há algum tempo num velho baú da minha avó, mãe dele (D. Francelina). Uma aquarela feita em papel fabiano, com certeza com o desenho pronto esperando pelo cliente, numa praça qualquer de Roma. A perícia do desenhista é formidável. Compare com uma outra foto de época, com o sub-sargento de artilharia Gomes, numa pôse a la Clark Gable. Naquela época era costume tirar foto em atelieres de fotógrafos importantes. Não sei a origem da foto (onde foi tirada). Mas o ex-juiz Gomes pode informar com mais detalhes, embora seja conhecida a sua proverbial mudez sobre o assunto. Como também não é segredo que ele sempre foi o terror dos homens, maravilha das mulheres. Quer ter certeza? Basta ver a felicidade estampada no rosto dele quando fica cercado de mulheres, mesmo que sejam suas filhas, netas...

O bigodinho era padrão. Fico imaginando como o famoso Millor Fernandes faria uma crônica sobre esta foto, como ele interpretaria.

Primeiro, como ele está todo arrumadinho, cabelo, bigode, roupa, tudo nos trinques.

Afinal, tá rindo de que ou de quem? Acho que de plena felicidade, pelo momento que estava vivendo, sabe lá em que país (Brasil ou Itália?).

Minha mãe, que na época ainda era a sua mulher oficial, conta do assédio (hoje sexual) que o militar Gomes sofria. Disse sofria? Isso é sofrimento, gente?

O cara era mesmo galã e a mulher que sonhava ser sua esposa deveria pensar duas, três vezes, tamanha era a concorrência, fico imaginando. E ainda tinha um automóvel preto, Pontiac, que o ex-militar, recém chegado da guerra, comprara para trabalhar como carro de aluguel (como se chamava o táxi da época). Segundo a minha mãe, hoje uma senhora serelepe de 83 (que não pára em casa, ainda bem, como voluntária do hospital Santo Amaro, em Recife), o Gomes tinha mais mulheres que passageiros...

Bem, ele devia gostar de minha mãe (ou então, tanto nem havia camisinha como métodos anticonceptivos usuais), que nasceram eu, minha irmã e mais outro que uma desinteria levou. Acho que o ajuntamento durou 3, 4, anos (minha mãe era descasada, coisa ruim para a época), com uma guerra no meio.

Dr. José Gomes nunca gostou falar da sua experiência de guerra. Mas, depois que deixou a sua esposa oficial, anos atrás, ficou mais loquaz, alegre, contente e, vez outra, revela alguns detalhes. Mas não insista, por favor, que o jovem Zé Gomes te dá uma fora com muita finura.

O engraçado é que nunca convivemos, mas herdei dele o que ele tem de gostoso: a irônica mordacidade. Coisa de genes? É um gozador. A sua verve deve ter arrebatado muitos corações.

Mas hoje tudo é tranquilidade, por que, ambos, encontramos as nossas Fátimas. A minha, a dele, cada uma com a sua. Ambas Fátimas. Como Nossa Senhora de Fátima, tranquila, presente, atuante.

sábado, agosto 05, 2006

Tive um contato hoje com Jaques Ribemboim, do Civitate e do Instituto Arqueológico.
Conversamos sobre o que fazer sobre o caso das Árvores da Rua da Moeda.
Decidimos fazer um Culto pela Preservação das Árvores da Rua da Moeda, na terça, 8, 15, no mesmo endereço.
Faço as comentações vial email para a imprensa, deputados e alguns pessoas da minha lista de emails.

Acesso um email do grupo de discussão de teatro, e acho engraçado a idéia de um dos integrantes que comenta a idéia de outro sobre uma possível invasão de espaços culturais em desuso.

Faço uma espécie de crônica, dando idéias e ficando à disposição.

Transcrevo:

Eu já ouviu esse filme ou vi esse texto.
Por ocasião da criação de um pretenso forum de teatro no escritório de uma produtora local, um dos participantes tocou neste assunto, INVASÃO DE ESPAÇO CULTURAL, pelo que foi solicitado segredo, como se a coisa fosse acontecer em questões dias, ou no máximo, semanas. Nada aconteceu até hoje.

Na década de 70 e parece que na década de 80, movimentos surgiram na Europa com o mesmo intuito: invadir um espaço em desuso para fins culturais. Parece que o pessoal é mais organizado (e devem guardar segredos) que aconteceram algumas coisas. Não sei objetivamente o que aconteceu, mas ouço de ouvir dizer.

Em meados de 80 tentei fazer algo parecido, invadindo não um espaço em desuso mas um em uso: O MAM, por não aceitar como o espaço estava sendo utilizado. Não foi preciso guardar segredo, por que ninguém topou, ou, pelo menos, com o fim da ditadura militar, cada um tava cuidando do seu refresco.

Quanto a guardar segredo é meio complicado, especialmente em tempos de internet (e, imagine só, usando grupos de discussão!), pois as tropas do Alto Comando Aliador não conseguiu guardar o segredo da invasão da Normandia trancado a 1001 chaves e cofres. Mas, no outro dia, todos os garçons riam muito com essa história de invasão da França, pela Normandia. Todo mundo sabia que seria por Calais, até mesmo os alemães. Ninguém achava graça na Normandia. A coisa foi tão ridícula, que quando Hitler soube, por Rommel, da invasão pela Normandia, tentou consertar este: "Você quer dizer Calais, não é".

Estou dizendo tudo isso por que a maioria dos pernambucanos sofrem da sindrome do carangueijo e vai ser difícil, um viridético, não sair correndo contar lá pelas bandas dos órgãos oficiais, genitais ou não (ou seria geriáticos?).

Do alto dos meus 59 anos ainda continuo idealista e sonhador, ainda acreditando nesses arroubos, só que é preciso ter culhões, como gostam de dizer os personagens de filmes policiais americanos, mesmo sendo do sexo oposto, dispostos ou diapositivos (nada de negativos).

Assim, me coloco à disposição para ajudar no desenvolvimento da idéia, do planejamento estratético e tático, mas, por favor, aqui não é o lugar para falar objetivamente, se é que me fiz entender, bem entendido.

Por exemplo, só no Recife, posso apontar muitas unidades que estão precisando ser ocupadas pelos MSEC = Movimento dos Sem Espaços Culturais:
  1. 3 prédios públicos na Avenida Guararapes (antigos INSS)
  2. 1 prédio privado na esquina da Av. Guararapes com Rua do Sol
  3. 1 ex-futuro shopping em frente ao Shoping Boa Vista
  4. Fábrica Tacaruna
  5. etc e tal
Assim, vou dizer com todas as letras: Eu topo!
Sei que meus colegas do Instituto Memorial não vão gostar, mas eu sempre tive coragem.
Agora, sinceramente, quem quiser fazer isso, mande email para mim e não para o grupo: don.antonio@memorialpernambuco.com.br

Don Antonio

Ps. Para finalizar: naquela época que eu pensava em fazer isso, terminei fazendo algo parecido:Eu invadia os shows dos outros e fazia o meu show. Chamava-se CRI-CRI - Cultura Relâmpago com Resultados Imediatos. Fiz isso durante uma semana, num dos FEstivais de inverno da Unicap (que por ironia, a idéia original foi minha), invadindo shows e espaços culturais. Durava 5 minutos, o tempo suficiente para não dar tempo da polícia chegar. Afinal, ainda era o restinho da ditadura militar.