MORRO DE MEDO DE MORRER DE CANCER...
... antes de comer milhões de chocolate;
... antes de ver todos os lançamentos de filmes desta década;
... antes de lançar os meus dez livretos que terminei de escrever;
... antes de realizar o meu show Braziu com Ç;
... antes de realizar a minha exposição de arte cibernética;
... antes de produzir e dirigir o longa metragem Frei Caneca;
... antes de encenar a minha peça experimental O Manipulador;
... antes de ver instalada a Casa do Memorial de Pernambuco;
... antes de criar o Forum das Entidades Não-Governamentais Culturais de Pernambuco;
... antes de realizar a Exposição Pernambucanos Imortais;
... antes de instalar a primeira WebTv de Pernambuco;
... antes de produzir e transmitir o programa semanal Pernambucanos D+;
Tão vendo? Tenho muito que fazer. Se não fosse tudo isso, por que teria medo?
O câncer me apareceu de surpresa, na noite de 22 de dezembro de 2004. Já passei por uma bateria de quimioterapia de 12 sessões, que me obrigava a me internar 3 dias e 2 noites (semana sim, semana não); agora estou na segunda bateria, que acontece um dia na semana (1 semana sim, 2 semanas não); estou às vésperas de uma provável terceira bateria (ou não), onde provavelmente vou me internar para me submeter a uma quimioterapia direto no fígado.
O tratamento em si não me causa muitos danos psicológicos, nem fico chateado porque estou careca; enjôos, cólicas, se combate com medicamentos; mas, ver gente morrendo ao lado, quando estou internado, isso sim, arrasa qualquer um, o que é contraditório num tratamento contra o câncer, pelo estresse que causa. Só fato de saber que vou me internar, me deixa deprimido e irritado.
Fora isso, estou encarando positivamente, me animando, e, principalmente animando os outros. Não me importa o que está ocorrendo por dentro de mim, e sim como posso levar otimismo às pessoas à minha volta.
Dei azar, como me disse um médico famoso, particular, que me deu 6 meses de vida, 10 meses atrás. 80% conseguem sucesso no meu tratamento. Estou nos 20%. Como nunca tive sorte em loterias, dei azar no jogo da vida.
Mas estou levando tudo de queixo erguido, tentando correr atrás dos meus sonhos, pois a doença me fez apontar a bússola para um destino, me tirando da deriva que estava.
Por isso, hoje, me dedico full time ao projeto Memorial Pernambuco. Este é meu sonho. Por que temer?
E, para finalizar, tenho um diálogo diário e uma frase que pronuncio sempre:"Jesus Misericordioso, confio em vós", que me dá forças para seguir em frente. E eu só posso agradecer a Deus, a oportunidade que estou tendo.
A doença uniu a minha familia, fazendo todos mais próximos. Sei que a minha esposa, intimamente, sofre muito com tudo isso. Mas sou uma pessoa que não pode e nem deve esmorecer. De tudo tiro uma coisa positiva e assim tenho feito. Poderia ser pior: o câncer está num lugar fatal, rápido, doloroso.
Agora, vou começar a pesquisar novas maneiras de sair dessa, buscando informações sobre novos tratamentos, até mesmo, se for possível, me oferecer de cobaia.
Gosto de ajudar as pessoas, e estou fazendo isso, principalmente com os meus colegas de tratamento, levando palavras de incentivo, e, até mesmo, sugerindo ações, como está acontecendo com um colega que está tendo problemas.
Vamos em frente!


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