CINEMA NACIANAL 2
O que há em comum entre os filmes O INVASOR (2001) de Beto Brant e O SACRIFÍCIO (2006) de Neil Labute (refilmagem de O Homem de Palha de 1973)? O fim irritante.
A minha mulher é um termômetro de filme bom, só que ela é radical: "o brasileiro não sabe fazer um filme como os americanos".
Quer dizer, tem muito lixo do lado de lá como do lado de cá, pois tanto cá como lá, a maioria é lixo, só que o lixo parece maior por causa da menor quantidade de filmes produzidos, o que deixa mais transparente os filmes ditos "ruins".
Como não sou crítico de cinema, apenas um grande e antigo espectador fánatico, fico com a maioria que gosta de finais felizes.
O engraçado é que quando o pessoal de cá mete o pau nos filmes de lá, por causa do formato "americano", sem prescindir das calças "jeans", das cocas (colas e das outras), chicletes e dos modismos ditos xenófobos, ou seja, nada de coerências!
Assim, estou sendo coerente quando digo que tanto cinema, como música ou teatro, são negócios como outros quaisquer, que tem que dar lucro.
Ora, acontece que quando o cineasta (ou produtor) recebe dinheiro público para fazer um filme, sem se preocupar com a bilheteria (pois os custos já estão "pagos'), lá vem preciosidades herméticas e restritas a uma elite intelectóide.
Se a gente quer conquistar o mercado, ou fazer mercado, ou atender à demanda reprimida, temos que combater (ou produzir) com as mesmas armas.
O cinema francês tem sucessos como Nikita (refilmado pelos americanos), ou os grandes sucessos comerciais dos italianos que produziram, na década de70, os faroestes (logo chamado de espaguetes), ou os chineses produzindo uma revoada de filmes de luta, sendo Bruce Lee o seu maior exemplo.
Quase ninguém sabe que o maior ou segundo maior produtor de filmes no mundo, é a Índia, embora não chegue poraqui as suas produções, por causa de uma grande problema (este sim, uma grande questão): o domínio das distribuidoras americanas no Brasil.
Aí é que tá o nó. Pois com o domínio das distribuidoras americanas e a sua sede centralizada no centro-sul, aumentam os custos de distribuição para os cinemas de rua, causando o fechamento de cinemas do interior, ou, pior, com a falta de distribuidores de filmes franceses, italianos, japoneses, indianos, coreanos etc, ficamos a ver navios, digo, filmes americanos.
Significa que a coisa funciona ao contrário: se não tiver distribuidores brasileiroso em outros paises, nada de demanda de filmes brasileiros. Sim, meu véio, o nó é a distribuiição, seja em cinema, música ou literatura.
Demanda há, produção existe, mas cadê a distribuição?
Mas, voltando ao filme O INVASOR, o que me incomoda, como espectador, é como uma história tão interessante, com a participação excepcional de Paulo Miklos (criando uma personagem inesquecível) morre na praia, com um filme muito artístico, bem ao gosto dos intelectuais, o que de uma certa forma prejudica o formato.
Faz parte da tradição cinematográfica brasileira, finais infelizes, dramáticos, realistas, pseudorealistas, como um "mea culpa" da dominação estrangeira (leia-se americana) na nossa cultura com uma propaganda dominada pelos costumes alienígenas, como demonstra recentes outdoor em inglês e os nomes em inglês de milhares de empresas nacionais,
Assim, não perdoe essa hipocrisa na nossa cultura, colocando a culpa em Hollywood, como agora estão culpando a Globo pelos sucessos dos filmes da Globo Filmes.
Mas, como disse um amigo meu avesso à cultura, isso tudo acaba quando chega o convite para tal ou qual pessoa fazer parte da Globo...


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