O terror das Mulheres. Terror? Alegria!
GOMES I - Não é novidade nenhuma que não fui criado pelo Dr. José Gomes, ex-motorista da Coca-Cola que virou Juiz, lutou na Itália (como voluntário na FEB). Mas tenho um profundo respeito e admiração pelo Zé. Uma coisa que gosto nele é a sua simplicidade e a ausência da arrogância comum em muita gente importante. Embora ele seja vaidoso, não tem frescura quando a gente pergunta como deva chamá-lo. Zé Gomes, Dr. José Gomes etc.Esta imagem ao lado é bem ilustrativa da vaidade do Dr. Zé: uma aquarela que descobri há algum tempo num velho baú da minha avó, mãe dele (D. Francelina). Uma aquarela feita em papel fabiano, com certeza com o desenho pronto esperando pelo cliente, numa praça qualquer de Roma. A perícia do desenhista é formidável. Compare com uma outra foto de época, com o sub-sargento de artilharia Gomes, numa pôse a la Clark Gable. Naquela época era costume tirar foto em atelieres de fotógrafos importantes. Não sei a origem da foto (onde foi tirada). Mas o ex-juiz Gomes pode informar com mais detalhes, embora seja conhecida a sua proverbial mudez sobre o assunto. Como também não é segredo que ele sempre foi o terror dos homens, maravilha das mulheres. Quer ter certeza? Basta ver a felicidade estampada no rosto dele quando fica cercado de mulheres, mesmo que sejam suas filhas, netas...
O bigodinho era padrão. Fico imaginando como o famoso Millor Fernandes faria uma crônica sobre esta foto, como ele interpretaria.Primeiro, como ele está todo arrumadinho, cabelo, bigode, roupa, tudo nos trinques.
Afinal, tá rindo de que ou de quem? Acho que de plena felicidade, pelo momento que estava vivendo, sabe lá em que país (Brasil ou Itália?).
Minha mãe, que na época ainda era a sua mulher oficial, conta do assédio (hoje sexual) que o militar Gomes sofria. Disse sofria? Isso é sofrimento, gente?
O cara era mesmo galã e a mulher que sonhava ser sua esposa deveria pensar duas, três vezes, tamanha era a concorrência, fico imaginando. E ainda tinha um automóvel preto, Pontiac, que o ex-militar, recém chegado da guerra, comprara para trabalhar como carro de aluguel (como se chamava o táxi da época). Segundo a minha mãe, hoje uma senhora serelepe de 83 (que não pára em casa, ainda bem, como voluntária do hospital Santo Amaro, em Recife), o Gomes tinha mais mulheres que passageiros...
Bem, ele devia gostar de minha mãe (ou então, tanto nem havia camisinha como métodos anticonceptivos usuais), que nasceram eu, minha irmã e mais outro que uma desinteria levou. Acho que o ajuntamento durou 3, 4, anos (minha mãe era descasada, coisa ruim para a época), com uma guerra no meio.
Dr. José Gomes nunca gostou falar da sua experiência de guerra. Mas, depois que deixou a sua esposa oficial, anos atrás, ficou mais loquaz, alegre, contente e, vez outra, revela alguns detalhes. Mas não insista, por favor, que o jovem Zé Gomes te dá uma fora com muita finura.
O engraçado é que nunca convivemos, mas herdei dele o que ele tem de gostoso: a irônica mordacidade. Coisa de genes? É um gozador. A sua verve deve ter arrebatado muitos corações.
Mas hoje tudo é tranquilidade, por que, ambos, encontramos as nossas Fátimas. A minha, a dele, cada uma com a sua. Ambas Fátimas. Como Nossa Senhora de Fátima, tranquila, presente, atuante.


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