quarta-feira, agosto 09, 2006

O teatro ainda está no século 20

O grupo de discussão de teatro, na internet, tá um fogo, tudo por causa da celeuma criada por conta um documento que as entidades de artes cênicas (profissionais, patronais e fomento, respectivamente, Sated/PE-profissionais, Apacepe-produtores e Feteape-teatro) mando ao Prefeito em 2005, e somente agora, estão re-começando a re-reclamar.

O pessoal de cultura é assim, desarticulado, desunido, o que me parece que é exclusividade de Pernambuco.

Por exemplo, MÚSICA.

O Sindicato dos Músicos Profissionais (como se fosse possível ter um Sindicato dos Músicos Amadores, Diletantes e Bixcetos) tem poucos filiados e é praticamente inoperante, com os músicos se perguntando pra que serve; a Ordem dos Músicos tem o registro profissional, e até, recentemente quase que fechava, por conta de um liminar absurda que questionava o registro profissional. Muita gente, músico, se pergunta também pra que serve.

Eu já estive músico, pois comecei como guitarrista de uma banda de baile, Os Alfas, de 1967 a 1969, atuando irregularmente. Tentei uma vez fazer o exame para a Ordem, mas o maestro, que tinha raiva dos músicos de baile, me deu uma partitura de metais para eu solfejar e eu mandei ele praquele lugar e continuei clandestino.

Anos atrás, pedi uma carteira provisória, mas nunca usei, aliás com a única assinatura do então presidente, maestro Guedes Peixoto, que sempre se recusava a assinar carteiras provisórias pois ele dizia que não existe músicos provisórios. Como eu conhecia e ele me respeita, me atrevi a pegar sua assinatura...

Sou daqueles que concorda com o registro profissional, mas não com as exigências que fazem. Até hoje o pessoal vai lá na Paraíba, que quase não tem exigências e tira a carteira que tem validade nacional. Ou seja, faltam ponderações, negociações.

A música da cena pernambucana acontece porque é de ladeira abaixo, ou seja, sái de baixo que atrás vem gente.

A prolixidade de bandas de brega (até um dia desses era de forró pé-de-galinha, como gosta de dizer Guedes Peixoto - os tecladistas só sabem fazer acordes...) é um fato. E por que não obrigá-los a fazer reciclagem? Nnguém resiste a umas aulas de MPB e Jazz, música erudita, basta ouvir, gente. A pessoa nunca mais será a mesma.

E no teatro?

A Feteape e o Sated e a Apacepe não se bicam. A Feteape reune pretensos grupos de teatro que na verdade na sua maioria são produtores de teatro; a Apacepe tem o domínio total de Paulo de Castro que fica dizendo que se o pessoal se unir, a entidade cresce. O Sated é a única que funciona realmente, pois é uma representação da profissão.

Mas, nos bastidores o pau canta, cada um que queira tirar o seu da reta (não o pau...), naquele gênero que Al-Mofadah gostava de gritar pelos corredores do palácio:"Quero ser imperador no lugar do imperador".

As discussões já estão caducando, pela temporaridade, precisando de up-grade urgente. A garotada que tá chegando num quer saber de história, e repetem os mesmos erros.

O pessoal de teatro que está com cargos nos órgãos públicos esquece a base e a as antigas reivindicações.

Por exemplo:
Por que não abrir os teatro públicos para espetáculos com novos horários, diurnos, vespertinos, de madrugada?

O estado não precisa soltar dinheiro, mas ser mais aberto, antenado com o século 21, pois não entendo uma casa de espetáculos tão cara, ficar ociosa mais cerca de 20 horas!

Se fosse uma empresa multinacional já teriam demitido o administrador, pois como o dinheiro vai girar?

José Mário Austregésilo, na década de 80, foi quem implantou a temporada em espetáculos teatrais, pois ninguém acreditava.

A Trupe do Barulho mostrou que tem público para a madrugada, embora, famosa, tenha descartado esse formato.

Mas o Vivencial Diversiones, na década de 70, tinha espetáculos que iam das 9 da noite às 3 da madrugada, com público, e nunca, nunca foi imitado.

Os produtores, então, são limitados na sua ousadia, precisando de ajuda do estado, abrindo as exigências.

Outra coisa absurda, ainda, é técnico de teatro fora do horário dos espetáculos.ç

Outro absurdo: o espetáculo que é vitorioso, tem que sair de cartaz, dando público ou não. E por que não tem uma regra que acabe com isso, e dê uma força a quem se desgastou tanto produzindo, dando uma outra solução para quem espera a pauta.

No site www.memorialpernambuco.com.br, clique em Teatros de Pernambuco (numa janela pop) e está lá uma listagem de teatros ociosos em REcife.

2 Comentários:

Às quarta-feira, agosto 09, 2006 4:40:00 PM , Anonymous Anônimo disse...

MAIS DEPOIS DE MAIS DE UM ANO ISSO VEM A TONA SÓ PODE SER POR CAUSA DA POLITICA DAS CAMPANHAS,QUEM TÁ GANHANDO QUANTO PRA REVIRAR ISSO ?? VALE QUANTOS CARGOS DE CONFIANÇA ??? VAMOS DISCUTIR SIM MAS COBRAR NA MESMA HORA E NÃO DEIXAR PARA A EPOCA DAS CAMPANHAS ISSO SIM É UMA VERGONHA E EU NÃO ME PASSO PRA ISSO.

 
Às quarta-feira, agosto 09, 2006 4:41:00 PM , Anonymous Anônimo disse...

não sou anonimo não sou CRISTIANO LINS O FODÃO. www.cristianolins.com.br

 

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